domingo, 22 de março de 2015

GUITAR SHOW BH

Paulo May

(obs: antes de fazer perguntas e ou postar comentários, leia aqui: CLIQUE)


          Com MUITO atraso estamos publicando o post sobre o evento que ocorreu em Belo Horizonte no dia 13 de dezembro de 2014...



Embora sejam comuns nos EUA, eventos desse tipo são raros aqui no Brasil. Exposição de guitarras raras, interessantes e vintage com encontros para discutir as peculiaridades de cada uma... Êta coisa divertida - só falta cerveja e nem precisa de mulher!! KKK!






        A exposição foi criada/patrocinada pela Beggiato Instrumentos Musicais e teve como expositores ilustres o nosso grande amigo (que já foi assunto nesse blog - CLIQUE) Tiago Castro e Felipe Nacif.

Ambos possuem vasto conhecimento sobre guitarras e afins e durante a exposição fizeram palestras sobre diversos e interessantes assuntos mas principalmente sobre suas guitarras em exposição.




















Para nossa sorte, alguém filmou as palestras do Felipe e Tiago e postou no YouTube. São 6 vídeos onde história, detalhes, curiosidades e, o mais importante, "informações pessoais, privilegiadas", sem nenhum viés de interesse comercial são divididas com o público.




Guitarras Fender e Gibson vintage originais, obras de arte modernas como a Zemaitis (que por sinal foi colocada à venda recentemente pelo Tiago - contato: stoneagemusica@hotmail.com ) e Suhr, uma Les Paul do já lendário israelense Gil Yaron, Bill Collings, enfim, só coisa de primeira.
Recomendamos que assistam os vídeos na sequência - muito, muito legal! :)







quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Dumble - A Lenda.

Oscar Isaka Jr





Todo mundo conhece o nome Dumble e o associa a uma característica: BOM TIMBRE!

Acho que eu mesmo só conheci os Dumble depois que o John Mayer virou uma hype total e todo mundo (incluindo eu) queria saber da onde vinham os timbres da época mais Blues da sua carreira. Só depois de pesquisar que descobri que o timbre DUMBLE estava muito mais presente na minha memória auditiva do que eu poderia imaginar pois um verdadeiro exército de guitarristas que eu gosto já usaram ou ainda usam amps Dumble em seus setups. Eric Johnson, Stevie Ray, Santana, Robben Ford são só alguns dos mais famosos.

Todo nós conhecemos o timbre Dumble, seja através das mãos dos nossos ídolos que os usam desde sempre ou pelos inúmeros vídeos dos originais e clones que temos no YouTube, mas pouco conhecemos sobre a cabeça por trás dessas máquinas. Na verdade existe muito pouco material sobre Alexander Howard Dumble na internet ou em qualquer outro meio de comunicação. Não há livros, não há registros oficiais, apenas algumas menções e aparições esparsas de um homem aparentemente muito reservado. Outro dia no Facebook um dos integrantes do nosso grupo deixou uma pergunta

"O que são os amps Dumble? O que os torna tão bons?"

A pergunta é muito genérica (experimente fazer a mesma pra Fender ou Marshall :-) ) e até soa preguiçosa num primeiro momento, mas faz todo sentido pois se quase não há informação em geral sobre o cara, não vai ter nada (ou quase nada) em português.

Ainda vamos tratar desse assunto novamente aqui no Blog, mas num primeiro post, decidi traduzir um artigo que achei numa Guitar Player antiga (Setembro de 1985) que tem informações básicas e uma ótima entrevista com o próprio Dumble, para termos uma ideia de quem é Alexander Howard Dumble.


O Mago dos Amplificadores Howard Dumble

Por Dan Forte/Guitar Player, edição de setembro de 1985 (Tradução Oscar Isaka Jr.)



         Jackson Brown vaga meio preocupado pelo backstage do San Francisco Cow Place. "Onde está Lindley?" ele pergunta ao seu Diretor de Turnê[...] "Subimos ao palco em 15 minutos!"

A porta ao final do corredor do backstage é esmurrada por uma onda de licks de LapSteel cheios de "gordura" e "sustain". No interior, Lindley destila seus acordes cheios e riffs claros, numa pequena salinha. com sua guitarra Havaiana no colo, através de um amplificador de aparência simples e rudimentar. 

"Eu quero esse, Howard," diz David a um homem de grande porte que estampa o sorriso de um pai orgulhoso no rosto. "Não um desse modelo, não um parecido com este, mas quero ESTE mesmo OK?"

"É só um protótipo" diz Howard Dumble.
"Beleza" diz Lindley, "Eu vou levá-lo."

David Lindley é conhecido por usar uma vasta coleção(mais de 100 instrumentos) de guitarras exóticas. Mas na estrada, ele usa somente uma marca de amplificadores, fato que deixa Howard Dumble orgulhoso. Como disse Lindley a Guitar Player nume entrevista em Julho de '77, "Eu tenho um monte de amps pequenos, mas sempre uso os amps Dumble na estrada, pois eles nunca quebram. 

"Levei um velho Fender Deluxe até Howard e disse: Quero ESSE som, mas com um timbre maior e mais alto, e ele conseguiu o que eu queria melhor do que qualquer outro."

Howard Dumble, nasceu em Setembro de 1945 e cresceu em Bakersfield na California, começando a construir rádios com 12 anos de idade. Conheceu a guitarra aos 16 (trabalhando inclusive como músico de estúdio), e em 1965 construiu uma série de amplificadores para a marca Mosrite que foram utilizados pela banda Ventures. Com o dinheiro de uma longa turnê na qual participou,
Dumble conseguiu financiar sua primeira aventura: sair de sua construção de garagem para uma oficina de amplificadores em 1968, em Santa Cruz na Califórnia. 


No ano seguinte, Dumble lançou seu amplificador modelo Explosion (o protótipo original ainda funciona) que mais tarde veio a ser conhecido como o famoso Overdrive Special. Sua linha de amplificadores atualmente inclui 7 modelos básicos: o Overdrive, o Steel-String-Singer, o Winterland e o Dumbleland para baixo, a unidade de Rack Phoenix, um direto Dumbleman de 50 Watts, o Dumbleator-- um conversor de impedâncias para uso no loop de efeitos-- e uma unidade de reverb chamada de Big Tex. Desde o começo, ele se mantém sozinho em sua oficina construindo manualmente todos os amps. peça a peça. 



Mesmo com seus altos preços -- um Head Overdrive de 100-watts custa $1,920.00; o Steel-String-Singer e o Dumbleland por $5000,00 sem nenhum opcional-- os amps Dumble estão sempre em alta demanda, mantendo Howard muito ocupado para suprir seus consumidores. Além de Lindley e Browne, sua impressionante lista de clientes inclui Larry Carlton, Bonnie Raitt, Graham Nash, Robben For, Stevie Ray Vaughan, Jay Graydon, Ry Coode, Tom Verlaine, Eric Johnson, Steve Lukather, Dean Parks, Carlos Rios, The Beach Boys, Christopher Cross, Tiran Porter, Jimmy Haslip, Jerry Miller, Thom Rhotella, Randy California, Terry Haggerty, Rick Vito, Kenny Loggins e muitos outros   (* obs: lembrem-se que esse texto é de 1985 - imaginem hoje). 

Discutindo o que há de tão especial sobre seus amplificadores, Dumble usa a estética mais do que termos técnicos. "É assim que funciona,"ele enfatiza. "É a influência emocional que realmente importa; a tecnologia é secundária - é somente um veículo. A ideia é realmente se divertir."

O exímio improvisador Henry Kaiser adiciona ao tema sobre o que faz os amplificadores Dumble diferentes do resto: 
"Numero 1, você pode jogá-lo de um prédio de 4 andares, trocar as válvulas que quebrarem, e ele vai funcionar perfeitamente. Aparenta ser o mais durável amp já contruido. 
Numero 2, a mim parece que o Howard calibra cada amplificador individualmente de ouvido, fazendo-os maquinas sofisticadas de timbres e texturas sonoras. Por conta do meu interesse anormal de explorar novos sons e timbres, eu preciso ter uma vasta carta de opções tonais a meu dispor. Eu tenho pelo menos 4 vezes mais opções num Dumble do que eu teria em qualquer outro Amplificador. Todo o resto soa terrível e eu me sinto péssimo tocando em qualquer outra coisa -- exceto por um Fender Champ."

Em agosto de '77, Lowell George da banda Little Feat foi mais sucinto. "É como um Fender feito corretamente," disse ele sobre seu Dumble. "É o melhor amplificador que eu já tive a oportunidade de tocar"...



ENTREVISTA:


Seus amps têm a reputação de nunca quebrarem. Como você os constrói para tanta durabilidade?

Esses são segredos guardados. Na verdade, se você desmontar um amplificador meu, você não conseguirá detectar como eu faço. Eu definitivamente tenho meus segredos que fazem o amplificador ter o timbre e durabilidade que tem. Com a maioria das companhias, é somente uma aplicação equivocada da tecnologia. Você não precisa destruir o produto, não precisa de um Variac para ter bons resultados. Eu presto uma atenção extrema a cada conexão e sei quais os componentes que duram e quais não.




O que fez você optar pela área da eletrônica?

Eu amava música. Música sempre foi uma grande paixão. Eu ouvia Les Paul e Mary Ford quando criança. Vindo de uma família de engenheiros, meu pai participou do desenvolvimento de um dos primeiros câmbios automáticos, então não foi muito difícil absorver tecnologia, pois estava em todos os lugares na minha casa. Ganhei uns trocados no colégio fazendo amplificadores transistorizados quando jovem e vendendo por $5 cada. Tudo ia muito bem até um dia todos tinham um e um professor me pegou...

O que o inspirou a fazer um amp?

Eu estava no segundo grau e esse cara chamado Jack Smith me pediu para construir um equipamento para a associação de Baseball. Ele disse que tinha acesso a "uma montanha" de peças, então eu concordei. Fomos ao seu depósito e pegamos tudo o que precisávamos - e tudo de graça. Construímos esse monstruoso amplificador de 200Watts para que eles pudessem fazer anúncios nos jogos de baseball. Até onde eu sei, esse amplificador funciona até hoje. Depois, eu e o Jack fizemos alguns amps baseados no Fender Dual-Showman, e apesar de não conseguirmos os transformadores originais Fender na época, soavam muito bem pois usamos transformadores David Hafler.

Antes de construir seus próprios amps, você chegou a desmontar outros como Fender e Gibson?

Eu posso desenhar alguns desses esquemáticos de cor[risos]. Claro, tive que absorver outras abordagens. Na verdade, minhas antigas modificações de Fender nos anos 60 tinham a mesma abordagem que muitos dos amplificadores High-Gain que vieram bem mais tarde.

Como você chegou a fazer os amps dos Ventures?

Eu tinha 18 anos de idade numa escola em Bakersfield e fui conversar com Semie Moseley (criador das guitarras Mosrite), que era a única pessoa a quem eu tinha acesso lá. Eu entrei do nada e já fui dizendo, "Eu tenho algo que soa completamente único. Você precisa escutar." Ele ficou surpreso e disse "Isso é a melhor coisa que eu já ouvi " e ofereceu para se associar a mim para a construção de 10 amplificadores. O negócio era de que ele compraria as peças e me pagaria $90,00 por semana por aproximadamente 4 semanas, e depois disso eu trabalharia de graça. Mesmo assim, eu ainda tinha que construir 10 amplificadores - com 18 anos e sendo somente um moleque. Eles se chamaram Mosrite Amps, mas eram meu projeto. Na verdade eu construí 11, pois eu ainda tenho o protótipo original. Os Ventures tiveram a oportunidade de testá-los e ficaram realmente impressionados, mas os amps soavam um pouco Rock demais para eles. Queriam que eu me juntasse a eles, mas eu recusei e voltei a tocar nos estúdios e bandas de rock locais.

Seus amplificadores tinham alguma qualidade que faltava às marcas comerciais daquele período?

Sim, eu definitivamente os fazia para que tivessem maior abrangência sonora, com mais frequências. Uma das coisas que eu notei nos amps de guitarra mais antigos era o fato que eram bastante limitados, especialmente nos graves. Você precisa ter muito cuidado e garantir que seus médios e agudos ainda respondam de maneira apropriada e eu descobri isso desde o começo. Você não pode construir um amp Hi-Fi e esperar que ele soe bem com guitarra, Simplesmente não funciona assim pois a curva tonal é completamente diferente. Eu descobri que se você adicionar um pouco de graves nos estágios de pré amplificação do circuito a coisa toda fica muito mais saborosa e divertida de tocar.



 Desde que você começou, a filosofia Dumble evoluiu?

Eu tento ser flexível. Eu sempre soube que tudo o que eu me propuser a fazer deve ser feito com a melhor das intenções, nunca ter nada mal feito ou meia-boca, sempre ter certeza de que funciona perfeitamente e que o visual também está perfeito. As técnicas que eu uso para obter os sons que eu busco sim, evoluíram extensivamente. É um processo de crescimento e essa é a parte mais difícil de se manter num único negócio pois você está sempre pensando em maneiras diferentes de faze-lo. Eu tenho mantido o Overdrive o mesmo, mas os outros modelos são abertos à flexibilidade.

Quais as mudanças sofridas pelo Explosion original até que o Overdrive Special fosse concebido?

O circuito mais ativo mudou bastante e o circuito responsável pelo timbre também. O que se manteve o mesmo foi a maneira de processar o sinal após o estágio de pre-amplificação. A maioria dos amplificadores de alto ganho usa um boost de ganho no pré amp mas eu já não uso isso desde o final dos anos 60. Eu descobri que tentando construir o sinal muito cedo nos estágio de pré amplificação há uma tendência de sobrecarregá-lo e isso gera efeitos "não-harmônicos", Sem contar com problemas das válvulas, com um resultado final extremamente não musical. Então meu objetivo era conseguir aquele maravilhoso "OMMPH" (corpo/presença equilibrada de graves) e sustain com toda a riqueza harmônica das notas sem nenhum desses problemas eletrônicos.



Você já fabricava o que viria a ser o Dumble Overdrive, antes de fazer o Steel String Singer?

O Steel String Singer veio depois, mas na verdade eu já estava começando a fazer uma série chamada Dumbleland em meados de 66, que eu ainda produzo até hoje. Esse foi o precursor do Steel String Singer. Eu não mudei muito dele, mas era um projeto muito à frente do seu tempo. Tinha muita potência e era muito limpo para as pessoas em geral, mas era perfeito para Stevie Ray (Vaughan). Ele tinha dificuldades de tocar num Overdrive.



Por que o Overdrive é tão sensível?

A maneira de lidar com o sinal é diferente no Overdrive pois trabalho com níveis de ganho muito intensos. Dentro de uma região linear, eu tenho uma capacidade de ganho de sinal na faixa de um milhão. Se eu entrar com 10 microvolts, eu recebo 10 microvolts de volta, e consigo isso de maneira muito estável e muito musical. A melhor maneira de encarar o Overdrive é de uma forma lenta, olhe todos os knobs e deixe o volume baixo. Saiba o que fazer com seus dedos para que ele responda bem ao seu toque. Sinta o amp! Ele tem a tendência de assustar as pessoas se não for assim devagar. O controle secreto do Overdrive é o knob de Ratio, que controla o quanto de sinal de overdrive é alimentado de novo ao circuito. Se você aumenta-lo, é ROCK CITY!


Quais as diferenças do Overdrive Special standard para o customizado para David Lindley ?

Eu modifiquei um capacitor para que a resposta dos agudos fosse um pouco diferente, mas o circuito é basicamente o mesmo.


O Lindley disse que que para alguns dos sons que ele busca, você pega emprestados a guitarra e seu Dumble para "casar" os dois..?

Sim é verdade. O amplificador responde de maneira diferente a cada guitarra para se obter alguns efeitos específicos. Eu preciso usar a guitarra do guitarrista em questão para ajustá-lo e não nenhuma das minhas. Essa é uma das grandes coisas do bom amplificado, ele não modifica o DNA da guitarra para um som homogêneo, mas simplesmente expande o sinal original. O amplificador é uma parte importantíssima da geração sonora, mas precisa ser extremamente responsivo ao que guitarra envia para ele. A filosofia que eu tento seguir é que o amplificador vai ajudar você a gerar o som que você ouve na sua cabeça.

Stevie Ray gosta de chamar seu Steel String Singer de "King Tone Consoul"

Tem algumas coisas diferentes no amp do Stevie. Ele é calibrado mais como um amplificador de baixo, modificado para acomodar as frequências de guitarra. Não é o que a maioria dos guitarristas solo usam. Uma das coisas que ele gostava é que ele podia levantar o volume até o máximo e ainda assim não distorcia, só ficava com mais volume. Ele o fazia distorcer algumas vezes por causa da sua pegada de 50 megatons de pressão, o que gera um sinal incrivelmente alto vindo de sua guitarra, o que muitos amplificadores simplesmente não suportavam. Ele gravou seu primeiro álbum com um amp de baixo que eu fiz para Jackson Browne.



Alguns guitarristas descrevem o Dumble como  uma versão do Fender Deluxe, mas com mais durabilidade, eficiência e potência. 

É uma maneira boa, porém limitada de descrever. O pequeno Deluxe tem algumas qualidades importantes, pois você consegue um grande conteúdo harmônico em volumes baixos. É realmente agradável, especialmente quando se toca sozinho. O problema é que esse som não é eficiente numa sala maior. Então uma boa analogia seria dizer que eu tento fazer algo confortável e musical, mas numa escala maior de potência mas pra isso acontecer e a analogia para por aí. O circuito é todo diferente e único para que eu consiga o resultado que eu quero. É como eu trato o circuito e como processo a inversão de fase.


Você pode "Dumbleizar" um amp Fender ao ponto dele entregar o som Dumble?

Seria uma escolha. A própria construção física do Fender limita o que pode ser modificado. Na verdade depois da ultima mod que eu fiz no Steel Sting Singer para David Lindley, ele não usa mais o Bassman que eu modifiquei pra ele. Ele buscava máxima transparência e resposta, como se flutuasse nas nuvens, então desenvolvi um circuito especial para isso. Eu posso usar um chassis Fender, mas preciso tirar tudo de dentro e refazer praticamente do zero. Tudo fica meio apertado, e as vezes meio centímetro faz muita diferença em como algumas coisas soam. É uma ciência que envolve o que chamamos de "constantes de circuito".


Ao invés de uma única chave de "Bright/deep" (brilho e profundidade), a maioria dos seus amps tem uma chave dedicada para cada controle. Você pode usá-los ao mesmo tempo?

Pode apostar que sim. O som vai ser vistoso nos graves que flutuam e os agudos cristalinos e macios como seda.


Quantos watts têm os vários modelos?

Os overdrives têm 100Watts, mas com chave para 50 e eu faço um modelo especial com 150Watts que é extremamente divertido. A escala de potência começa no Hotel Hog de 25Watts até o Winterland de 450Watts (baixo).

Existe um amp que seria o ultimato em timbre para você ou o Overdrie e o Steel String Singer são monstros muito diferentes para serem combinados? 

Na verdade a linha Phoenix é onde eu fiz isso, combinei ambos numa unidade de Rack. Você pode comprar todos os preamps separados com ou sem overdrive e a escolha entre powers de 50, 100 ou 150Watts, e juntar como quiser. A seção overdrive é expandida, ao invés de dois controles temos 4.

Após experimentar com vários auto-falantes, o que você prefere?

Eu experimentei de tudo e tem muita coisa que eu gosto. O mais versátil é o Electro-Voice, mas todos os fabricantes incluindo Altec e JBL fazem falantes maravilhosos para tarefas específicas que outros falantes não podem fazer. Eu divido falantes em duas categorias: os eficientes e os com baixa eficiência e ambos são super úteis. Falantes com baixa eficiência são os Celestion, Jensen e PAS e por uma questão de construção física não alcançam a mesma eficiência por watt como os EV ou JBL e existe uma vantagem nisso. Você consegue que o amplificador trabalhe mais, com menos volume acústico e uma estrutura harmônica unica e diferente também. Eu amo o som dos JBL especialmente para acordes, mas tive muito trabalho com um cone de 4 polegadas trabalhando de maneira não linear fazendo a bobina entrar em curto com a estrutura magnética. Os Altecs não faziam isso, então usei-os até 1979 quando a EV lançou a linha EVM.

Como sua filosofia de gabinetes contrasta com a de outras companhias?

Eu acho que a minha é diferente, pois eu não acredito numa estrutura simples de "Baffle" (defletor) com 4 laterais. Tudo é projetado para responder no timbre, e até meus gabinetes "open-back" usam o ar de maneira otimizada. É um processo contínuo de descobrir coisas que são úteis. Definitivamente existe uma técnica para projetar e desenvolver gabinetes para que exista um processo de inversão e utilização do ar movendo. Eu faço o ar responder de maneira a estar numa relação "em-fase"tanto na frente quanto na parte traseira do gabinete, de maneira que eu uso mesmo número de falantes para gerar quase o dobro de som.

Dumble e Crhistopher Cross em 1986 (amp Dumble 300 SL)


Isso afeta a qualidade do timbre?

Sim, os graves ficam absolutamente lindos. Você sente como se estivesse flutuando num campo de futebol cheio de marshmallows e adiciona uma qualidade vocal nos médios que coloca seus solos la na frente. Funciona especialmente bem para Slide, e é o gabinete que Lindley e Lowell George usavam.

Existe um alvo emocional você ainda persegue? Ou seria mais de um?

É todo um panorama. Eu não gosto de ficar confinado. Existem centenas, talvez milhares ou milhões de timbres de guitarra válidos. Quando o ar se torna elétrico, esse é o timbre perfeito, não interessa qual ele seja. É o som que excita os sentidos e cada um tem o seu!


Guitar Player Magazine - September 1985  (http://personalpages.manchester.ac.uk/staff/rob.livesey/dumble/Articles/)

Obs: infelizmente existem poucas fotos e vídeos de Alexander Dumble. Abaixo duas pequenas aparições em vídeos.
(Paulo May:) Mais triste ainda é ter que ouvir um maluco e mala como o Henry Kaiser "apagando" o Dumble no vídeo. Se o Oscar me permitir fugir do tópico, nunca ouvi um cara mais chato que esse Henry Kaiser - PQP!. Não entendo como o Dumble entrou nessa roubada...




terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Pedido para a Dilma

      
         Pra quem ainda não assinou a petição solicitando suspensão da taxa de importação para instrumentos musicais:

https://secure.avaaz.org/po/petition/Dilma_Rousseff_Suspender_taxa_de_importacao_para_instrumentos_musicais/?sCSWaeb

ADENDO: 12/2/15:
O Alex deu o toque e o pessoal de um grupo do facebook também: esse AVAAZ parece picaretagem:

http://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/avaaz-golpe-ou-verdade? (CLIQUE AQUI)

Esse mundo tá uma merda mesmo. Picaretagem e desonestidade por tudo quanto é lado. Recebi o link de um amigo, repassei aqui e na boa fé nem me preocupei em checar a idoneidade do AVAAZ. PQP!!!

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Entrevista LPG: Smithers Áudio Transformadores - Teste Indutor de Wah *SORTEIO EFETUADO*

Oscar Isaka Jr
Apesar de todos os problemas políticos e econômicos que nosso país enfrentou, o ano de 2014 foi um bom ano para nós, Loucos por Guitarra. Ultrapassamos a marca de 1.000.000,00 de visualizações, apresentar e conhecer muitos produtos legais e claro agregar muito conhecimento. Nesse meio tempo acabei conhecendo meio que por acidente a Smithers Audio. Sabe aquele lance de um amigo compartilhou um link de Facebook que me chamou atenção e cliquei. rs pronto.


Quando estava pesquisando sobre amps, para entender melhor, modificar, enfim aquilo que eu mais gosto de fazer que é fuçar as origens do nosso timbre de cada dia. Um post no Facebook me levou a um papo com o Leandro, sobre transformadores conforme já referenciei em outros posts e assim vinhamos mantendo contato a medida que a Smithers vinha crescendo e lancando novos produtos, que além dos trafos conta também com Knobs torneados em INOX e um inductor de Wah com 3 opções de indutância.

O Leandro topou a idéia do bate papo que temos feito pro Blog e o resultado vocês podem conferir abaixo:

1- Bem vindo ao nosso Blog Leandro. É um prazer contar a Smithers por aqui. Como começou essa sua aventura no mundo dos trafos até o nascimento da Smithers?
Obrigado Oscar pela oportunidade de expor o trabalho da Smithers áudio. É muito importante um blog como a LPG, explorar este grande mercado, dar oportunidade a fabricantes nacionais, com uma maneira de fácil compreensão cada item fundamental, que vai influenciar no timbre de seu equipamento, sejam eles: guitarra, pedal ou amplificador.
Placa do Princeton
A aventura começou em meados de 98, quando jovem, descobri a guitarra… ouvia Pink Floyd, Led Zeppelin, Iron Maiden e trocava ideias com guitarristas. Em 2001 eu montei meu primeiro amplificador, foi um amigo que levou um Fender Princeton 112 pra eu consertar e vi a oportunidade de copia-lo, dois meses depois consegui fazer a cópia, estava todo orgulhoso… mesmo o gabinete sendo uma caixa de papelão! Rs… as trilhas da placa do circuito todas feitas a mão, era bizarro! mas funcionava muito bem claro que com alguns chiados, zumbidos…, depois montei um segundo e coloquei em um gabinete decente, de madeira e tinha até painel… 


Clone Hiwatt DR-103
A partir disso, pesquisei bastante sobre valvulados, fiquei fascinado com aquela fiação e montagem estilo point-to-point com turrets, em 2004 montei um valvulado, baseado em um Hiwatt DR-103, minha marca era Marco amplificadores valvulados, não fiz muitos amps pois tinha muita dificuldade em comprar componentes. Em 2007, quando trabalhava pra um fabricante de amps e pedais de boutique, estava cursando eletrotécnica que abrange muito transformadores, vi a possibilidade de começar a enrolar na empresa os trafos pois, eles vinham de fora e eram caros. Tive a oportunidade então de projetar e enrolar trafos de força e saída para estes amps, fiquei nesta empresa uns 5 anos e pude analisar vários tipos de trafos, entre eles; Mercury, Heyboer, Hammond, testados com tipos de válvulas diferentes de alta qualidade como; Phillips, Mullard, Tungsram, Tungsol, etc… e bons falantes; Celestion, Jensen, Weber… Isso foi fundamental para acostumar os ouvidos, que até então eram influenciados por gravações, lendas e “achismos” de músicos! Enfim, saí desta empresa e mudei totalmente de ramo, era eletrônica, mas não no áudio, até que comecei a prestar serviços para outro fabricante, o Pedrone, e ele me incentivou muito a voltar a enrolar os trafos. Em 2012, retomei a idéia, criei a logomarca, queria algo bem estilo “old industrial”, investi em um bom maquinário, entre eles, uma bobinadeira CNC de alta precisão. Calculei os trafos de saída de guitarra com um pouco da técnica de enrolamento do Hi-Fi, para um melhor desempenho e definição sonora. Minha meta sempre foi focar na máxima qualidade dos componentes e acabamento fino, para transparecer sua perfeita montagem (ou próximo disto, odeio a idéia de que nada é perfeito! Isso me faz pensar que estou fazendo porcaria…. Rs…) Defini como seriam embalados, com caixa de madeira e pelúcia por dentro, um luxo! Demorei um ano pra colocar o site no ar e abrir as vendas, e enfim, hoje temos trafos de saída para amplificadores valvulados de guitarras, baixos e alguns para Hi-Fi.
                                 
Transformadores Hi-Fi

2- É notável que o brasileiro está mais exigente . Como você enxerga o Mercado nacional de amplificadores valvulados,?
Na época que comecei só conhecia dois fabricantes; a Tubeamps e Serrano e logo apareceram outros e nem sempre ganhava o que tinha mais qualidade, mas sim, o menor preço. Prova disso foram alguns hand-makers que pegaram encomendas, dinheiro e nunca entregaram, lamentável pois o mercado ficou marginalizado e só depois de um tempo que foram se formando boas marcas. Parece redundante, mas hoje são poucos os brasileiros que valorizam o mercado nacional. Um péssimo hábito que vejo, é que pra eles sempre o produto nacional tem que ser barato, mesmo que seja melhor que um importado. É difícil convencer que, manter um produto tão específico, montado a mão, com componentes de qualidade (muitos deles importados que só aí são cobrados mais de 60% em impostos e não dá pra fugir deles pois aqui no Brasil, por exemplo, não se fabrica válvula) Custa muito caro, sem contar a mão de obra…. É necessário investir bastante na marca,  pra ela realmente conquistar esta fatia mais exigente do mercado.

                                         

3 - Falando da parte técnica, um pergunta que tenho certeza todos estão se fazendo , é qual a influência de um BOM trafo no timbre do amp?

Imagine um teletransporte de ficção científica; o sujeito entra por uma porta e cientificamente a matéria é transformada em pulsos elétricos, são transmitidos até a outra porta sendo convertido de pulsos elétricos para matéria e por fim sai. É exatamente isso que acontece em um trafo de saída; uma tensão com uma frequência entra pela porta (primário) esta se transforma em fluxo magnético no núcleo, em seguida o secundário é induzido por este fluxo liberando uma tensão elétrica. Agora este teletransporte tem de ter 100% de precisão, se não o sujeito pode sair pela outra porta faltando um braço, perna ou que for… O que quero dizer, é que passa pelo trafo 100% do sinal de saída de seu amp, por isso ele tem que ser bem projetado pois são diversos fatores que determinam se a saída será ou não influenciada, ou quase, pois fisicamente é impossível projetar um transformador 100% preciso sem perdas. 
Lembrando que o trafo de saída sozinho não pode responder pelo todo, o conjunto tem que ter boa qualidade; o circuito, válvulas e falante(s).
4 - Sempre leio os especialistas gringos dizerem que um bom trafo tem "50% de especs técnicas e 50% de magia negra" numa alusão ao bom timbre atribuido a alguns modelos. A Mercury Magnetics é famosa nos EUA por produzir excelentes transformadores de amps valvulados. Pode nos dizer em linhas gerais alguns dos diferenciais de um bom trafo?

 Este meio sempre foi recheado de contos e lendas! Fica bem fácil criar um marketing em cima… Rs… Um bom trafo tem que ter um bom intrelace entre camadas, exemplo; trafo de força você enrola o primário e depois o secundário por cima, pronto. No saída se você fizer isso, o trafo não vai responder na faixa dos agudos, vai ter uma perda absurda de indutância entre enrolamentos, e uma alta capacitância esta que seria responsável pela perda de agudos. 





Quando você divide o primário/ secundário em várias camadas e intercala cada, você terá um melhor acoplamento indutivo entre camadas, reduzirá bastante a capacitância, enfim a resposta melhora e muito! Para guitarras geralmente os fabricantes dizem que por a guitarra operar em uma faixa pequena de frequência, não há necessidade de várias camadas, o comum de se usar são 3 ou no máximo 5 camadas; (prim./sec/prim., este é exemplo de vários fabricantes inclusive da Heyboer, fornecedor da Fender hoje). O de 5 camadas (prim./ sec./ prim/ sec/ prim.) este é exemplo de modelos top da Mercury. Os meus, eu faço no mínimo 7 camadas e o SM45 por exemplo, tem 9 camadas ( prim./ sec./ prim./ sec/ prim./ sec./ prim./ sec./ prim.) Isso aumenta esta faixa de resposta de frequência, isso faz que ele reproduz aquele estalo da palhetada, a nota soa definida e deixa o circuito de tonalidade bem mais funcional. Outra característica marcante na fabricação meus trafos, cada camada de enrolamento, por exemplo, o primário terá 3 camadas seguidas, então cada camada tem o mesmo tamanho, com os fios juntos e com isolamento entre cada. São impregnados com um verniz próprio numa câmara a vácuo, isso proporciona um maior isolamento, o bobinado fica livre de espaço vazio que poderia penetrar umidade, e também por ficar bem fixo, o trafo fica livre de entrar em ressonância com algum ruído, isto acontece quando a impregnação é ruim e o enrolamento começa a vibrar. Há uma discussão enorme a respeito de núcleo, GO x GNO, eu prefiro núcleo C!



Por outro lado, o diferencial para um bom trafo de saída pode não ser seu bom dimensionamento…. as vezes usar um trafo com núcleo menor faz você achar o timbre que procura, você tem uma saturação mais cedo, com menos volume, dependendo do seu gosto isto pode lhe agradar. Vi muitos casos também do dono usando o falante em diferente impedância, (ligar um falante de 4 ohms em saída de 8 ohms), isso não é recomendável, mas se o timbre agradou e ele tem possibilidade de comprar novas válvulas ou até um novo trafo, no caso de vir a queimar, ué, seja feliz! 
5- Alem dos trafos, a Smithers também tem knobs usinados e um inductor triplo de Wah. Pode nos falar um pouco dessa diversificação de produtos da Smithers?
Nosso foco é a fabricação de trafos de saída, mas como sou inquieto, gosto de fazer de tudo um pouco, vi uma oportunidade de fazer os knobs, mas fora do padrão tradicional, queria com alta qualidade, digno de ser colocado em uma guitarra cara ou um Hi-Fi, e estes são usinados um a um em uma única peça de inox, material que não oxida e nem enferruja, ideal pra quem tem suor em excesso nas mãos. Quem faz a usinagem é meu pai, aposentado, tem mais de 40 anos de experiência no assunto. Os indutores eu quis inovar, não vi nenhum no mercado com três diferentes indutâncias na mesma peça, me perguntei; se a indutância faz diferença no som e temos a possibilidade de fabricar com valores de indutância a mais, porque não fazer? É mais trabalhoso, requer mais mão de obra, mas é um produto único e que deixa versátil a escolha de timbre.

6- E o futuro? Pra onde vai a Smithers a partir de 2015? Novos produtos/planos?
Continuar com o alto padrão de qualidade é certo. Pretendo expandir a área de usinagem, oferecer serviços de precisão para áudio. Tenho muitas idéias e pouco tempo para executa-las, não vou revelar aqui pois alguém pode rouba-las! Rs…. Vou contar só uma, tempos atrás fiz um teste enrolando um capacitor à óleo, fiz um com .1uF de capacitância, impregnei com óleo, testei apenas no osciloscópio e capacímetro e estava ok, em testes recentes percebi que ele se manteve estável depois de um ano. Estou pensando seriamente em colocar esta idéia em prática e quem sabe teremos capacitores à óleo específicos para áudio em 2015.
Gostaria de agradecer novamente pela oportunidade, e agradecer quem teve paciência de ler tudo… Obrigado!
                                          

Depois do bate papo mãos a obra :-)
Eu já conhecia a alta qualidade dos trafos  do Leandro pelos amps do Pedrone, então sabia que o indutor de Wah não teria como ser ruim. Como eu já estava com uma carcaça aqui meio parade de um VOX xing-ling, era o incentivo que eu precisava para terminar o bicho. O Leandro me enviou um com as palavras "Oscar, teste e veja o que acha, e não hesite em dizer que está tudo errado se assim você achar". Desde o começo o compromisso do Leandro com a qualidade ficou muito claro.

                                     

A galera que me conheçe sabe que eu gosto de me aventurar no mundo de montar pedais. Existe muita fonte confiável na internet hoje entre forums e sites que explicam o básico pra vc ser mordido pelo lance do HandMade e sinceramente não precisa ser formado em electronica pra montar seu Tube Screamer e começar. Eu mesmo não tenho nenhuma formação em eletrônica, e o pouco que sei foi pesquisando e lendo da internet bem como ajuda de amigos que manjam mais do assunto, e claro metendo a mão na massa. Experimentar e ouvir, como tudo é crucial nesse mundo dos pedais mas ja adianto que não adianta me perguntar sobre montagem e circuito de pedais, pois não tenho o conhecimento teórico da coisa pra saber explicar e etc. OK? :-)

Pra esse Wah eu usei uma placa pronta do projeto Wheener Wah II, comprada da MadBeanPedals , que alias recomendo fortemente. As placas são espetaculares e tem documentação perfeita de todas as nuances do circuito e etc. O Wheener Wah é baseado no Clássico Clyde McCoy com algumas mods então seria perfeito pro teste com o Indutor da Smithers. Depois de pronto é assim que ele ficou:



O teste comprovou o resultado. Um timbre de WAH muito liso e bonito como eu já havia ouvido no Fulltone Clyde Deluxe por exemplo e outros Wahs clássicos. A variação dos indutores é bacana e muda a vocalização de Wah, pra Weh ou Who  e associado aos diferentes valores de capacitors o leque abre ainda mais, indo de um Wah mais gordo e cheio ao mais Funky e magrinho. Isso pq eu usei um pot Alpha xing-ling que estava no VOX antes, se colocar um POT BOM de wah, com o sweep certo acredito que o resultado seria ainda melhor.


Eu vou gravar uma pequena demo do WAH que eu montei com o indutor pra vc`s ouvirem. Devo atualizar o post logo com a demo. 

Contato:
Smithers Audio
www.smithersaudio.com.br
www.facebook.com/smithersaudio


  

Gostaram? Pois como especial de natal o Leandro disponibilizou 3 indutores para sorteio entre os leitores do Blog.

O regulamento vai ser o seguinte:

- Para participar basta deixar um comentário com a frase "Quero um Indutor Smithers"com o e-mail para contato.
- Só serão considerados para o sorteio comentários que tenham ambas as frases e o e-mail para contato. Se um desses dois não estiver presente, o mesmo será desconsiderado para o sorteio.
- O sorteio será através do site SorteiosPT.com.
- Vou pegar todos os e-mails que forem postados para o sorteio e inserí-los na lista do SorteiosPT.
- 3 e-mails serão sorteados e serão os ganhadores.

Ganhadores serão divulgados aqui mesmo nesse post no dia 29 de Dezembro com as instruções para que possamos entrar em contato e também enviar o prêmio.

Eu e o Paulo gostaríamos de agradecer a todos os nossos leitores pelas muitas horas de papo e confraternização nesse nosso espaço. Que 2015 venha com muito mais novidades a todos nós e claro muitas guitarras, amps pedais e muito mais horas de bate-papo.

Desejamos a todos um feliz natal e um próspero 2015 a todos!

___________________________________________________________________________

Bom pessoal, acabei de efetuar o sorteio e o resultado pode ser conferido abaixo:

A lista continha 53 itens. A seguinte lista foi sorteada de forma aleatória.
1- evertoncadan@hotmail.com
2- sergiofillol@gmail.com
3- lucapimentel@gmail.com

Parabéns aos ganhadores do Indutor Smithers! 
Em breve entrarei em contato para enviar o seu prêmio!


terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Ponte MANARA para Stratocaster



Oscar Isaka Jr

         Eu tinha certeza que depois do bloco, já famoso, e da alavanca "Pop-in", não demoraria muito para que o mestre Carlos Manara nos brindasse com uma ponte completa para Strato. Acho que de tanto a gente insistir ele atendeu! :-D



Assim que ele me avisou que tinha uma pronta nas especificações e espaçamento Vintage, ele me contactou e eu já pedi uma para teste. Em todas as minhas guitarras eu uso a ponte da linha Fender American Vintage, que equipa toda a linha Fender USA e Custom shop que tem a ponte de 6 parafusos. Na minha "Blue", usei ainda saddles da Raw Vintage, que diz que analisou e reproduziu o aço usado nos saddles originais dos anos dourados da Fender pré-CBS. Nada melhor do que trocar a ponte toda dessa guitarra pelo novo tremolo Manara para um teste comparativo. :-)

Pois bem, recebi a ponte toda desmontada em saquinhos. Fui montando e já pude constatar a qualidade e capricho que já conhecemos do Carlos. Sempre procuro por imperfeições na cromagem, niquelagem ou acabamentos no processo de usinagem e não achei nenhum detalhe negativo na ponte toda. Acabamento excelente!


A ponte vem completa com tudo o que vc precisa para a instalação. É só ir montando e pronto, não tem muito segredo. No entanto, dessa vez fiz algo que até então não tinha conseguido me acertar direito, que é a regulagem da ponte flutuante, como o Carl Verheyen faz no vídeo abaixo.

 


O Carlos me enviou umas instruções para tal por e-mail quando estávamos trocando uma ideia sobre o assunto e resolvi testar. Não é que funciona e funciona muito bem? Tentando, descobri que o segredo está na qualidade das molas usadas no tremolo e um pouco de insistência na coisa toda. O Carlos está fabricando um conjunto de molas que afirmo sem nenhuma dúvida serem as melhores que já usei para esse tipo de regulagem. Melhores que as da Fender? Olha, vou dizer que com as Fender que vinham nas minhas pontes nunca obtive uma regulagem satisfatória com a ponte Flutuante.

Vou transcrever as instruções diretamente do Carlos, feitas na sua SX com tarraxas originais e o tremolo Manara. 

Oscar, vou tentar passar pra vc a afinação Flutuante:

Eu uso tarraxas simples mesmo chinesas, quando coloco as cordas dou no máximo duas voltas na haste da tarraxa. seguro a corda com a mão direita puxando a corda pra cima e o dedo indicador mantendo a corda no canal do nut e com a esquerda vou girando para esticar a corda. 

1- Afrouxe as cordas, mas não tudo, somente para tirar quase toda tensão.

2- Coloque as três molas,  estique as molas em ângulo de forma que a mola mais curta fique apenas um pouco esticada mas não estique muito porque a alavanca fica dura e não dá regulagem. A alavanca tem que ficar bem levinha. Esse ângulo serve para compensar as cordas mais grossas e isso significa que todas as cordas vão exercer a mesma tensão ou seja, essa tensão fica bem distribuída igualmente nas seis cordas.

3- Solte um pouco os seis parafuso que prendem a placa ao corpo umas 5 voltas. Depois da ponte estabilizada aperte os parafuso mas sem tocar na placa.

3- Afine todas as cordas com o afinador, e vá reparando que a ponte vai descolando do corpo. Ela tem que ficar bem descolada do corpo, uns 6mm mais ou menos. 

4- Dê umas alavancadas de leve, pra baixo e pra cima. Ela vai desafinar, mas vá afinando e alavancando até a afinação estabilizar. Tem que ter paciência e insistir.

5- Depois de afinada verifique a altura da ponte descolada do corpo - se for o caso, solte um pouco as três molas (ou aperte) - mantenha descolada em torno de 6mm. com a guitarra afinada.

6- Cuidado com cordas novas. Elas demoram muito para estabilizar.

Tem que insistir, depois que vc conseguir é só correr pro abraço.


Instalei a ponte na minha Strato Blue e de cara já notei o timbre. Não deu nem vontade de voltar pra Fender, pois estava tudo lá intacto. O DNA da guitarra estava inalterado e arrisco dizer que o grave estava um pouco mais profundo talvez. Fiz a regulagem da ponte flutuante e voilà, funcionou como uma luva! 
Eu que sempre defendi a Strato com tremolo colado no corpo, passei a deixar a ponte da minha Strato No 1 flutuando e feliz da vida :-).


 

         A ponte do Carlos vem com molas normais para o setup de alta tensão com a ponte colada no corpo. Para adquirir as molas especiais para o setup de ponte flutuante, você precisa encomendar as molas separadamente na hora de comprar sua ponte. 

         Vou dizer sem medo que a ponte que o Carlos Manara está oferecendo aqui mesmo no Brasil tem o mesmo nível de capricho e qualidade que a Callaham, tão famosa lá fora. Certamente no comparativo com a ponte Fender com saddles Raw Vintage ela não perdeu em nada, pelo contrário, ganhou a posição de titular! 

Vida longa ao Carlos e que ele continue a nos brindar com ótimos produtos como essa ponte! 

 Contatos:
Telefone: 0xx-11-4607-0236

domingo, 2 de novembro de 2014

Crônicas VINTAGE: Tiago Castro

Paulo May



           Já é fato notório que eu e o Oscar somos fissurados por equipamento vintage e volta e meia abordamos isso aqui. Então resolvemos criar uma seção especial - com logo próprio - denominada "Crônicas Vintage".
A palavra "Vintage", provavelmente de origem inglesa, inicialmente relacionava-se à data de uma (boa) safra de vinho, mas hoje em dia traduz quase tudo que é "antigo e de qualidade" (oxford dictionary: "Denoting something from the past of high quality, especially something representing the best of its kind"). No nosso meio, qualquer equipamento antigo de qualidade pode ter o status de vintage. Dito isso, concluímos que tudo que é vintage é antigo, mas nem tudo que é antigo é vintage...

         Essa primeira crônica vintage acabou nascendo meio por acaso: há uns dois meses recebi algumas fotos do meu amigo e luthier Adriano Ramos (RDC Guitars), de BH, com equipamentos vintage de um cara chamado Tiago Castro. Numa das fotos, o Adriano segura uma stratocaster Fender original de 1956:

Adriano Ramos e a strato de 1956.

"E isso é só uma pequena parte" - me contou o Adriano - "O Tiago tem um monte de equipamento vintage: amps, pedais, guitarras, etc." Com o Adriano fazendo o meio de campo, consegui um contato pessoal com o Tiago Castro e à medida que ele ia me descrevendo o que tinha e sua história pessoal, sugeri uma entrevista... "Isso é o tipo de coisa que os leitores do blog adorariam saber" - comentei com o Tiago. :)

Como raramente erro na minha primeira impressão, o Tiago confirmou ser uma pessoa excepcional. Inteligente, gentil, educado, prestativo... Enfim, um cara que qualquer um de nós gostaria de ter como amigo. 

Assim como nós, o Tiago é um guitarrista (e atualmente também produtor e dono de estúdio) apaixonado por equipos vintage e foi essa uma das razões que o levou aos EUA em 1999, numa viagem que acabou durando dez anos e uma cidadania americana... :). Durante esse período, ele trabalhou na sessão vintage da Guitar Center de Hollywood/LA, mais conhecida como "Hollywood Vintage"



Abaixo, uma foto do Tiago na época que trabalhava na Hollywood Vintage:

Tiago Castro

Claro, um cara louco por vintage trabalhando na seção vintage da Guitar Center... Não podia dar outra: sua coleção pessoal começou a crescer exponencialmente:

Guitarras

Amplificadores


Pedais/Efeitos


Estúdio

Enviei cerca de oito perguntas por e-mail e o Tiago respondeu a entrevista em áudio. A minha ideia inicial era transcrever, mas à medida que ia ouvindo, pensei: "Não, não... Tenho que postar o áudio mesmo - isso tá muito legal..." Deu um trabalhão danado colocar imagens e fazer uma coisa mais "audiovisual", mas eu e o Oscar achamos que vocês merecem :)

 ENTREVISTA COM TIAGO CASTRO

Fizemos um vídeo para cada uma ou duas perguntas. Seguem:

 LPG: 1 - Conte sobre a tua ida para os EUA, o emprego na Guitar Center, por que a sessão "Vintage" e por que eles optaram por um brasileiro?

PARTE 1


LPG: 2 - Como era trabalhar na GC, e/ou, com os americanos em geral? Ficaste muitos anos nos EUA... Imagino que tenhas conseguido um green card ou coisa parecida...
LPG : 2b: Suponho que os brasileiros que apareciam por lá eram encaminhados pra ti... O brasileiro tem alguma característica interessante/curiosa, além da fama de testar/tocar e raramente comprar? :)

PARTE 2


LPG: 3 - Podes relatar algumas curiosidades, fatos inesperados e oportunidades que apareciam nessa área da GC?

PARTE 3


LPG: 4 - Como avalias uma guitarra vintage? Pelo valor "vintage" intrínseco, pelo timbre ou ambos? Experts falam que muitas guitarras antigas, mesmo as clássicas Gibson e Fender, podem soar "normais" e até eventualmente ruins, com timbres feios...

PARTE 4


LPG: 5 - Fale-nos um pouco sobre o teu equipamento vintage...


PARTE 5


LPG: 6 - A Fender Stratocaster de 1956 merece uma atenção exclusiva. Fale-nos mais sobre ela.

PARTE 6



LPG: 7 - Dá pra comparar uma guitarra vintage com uma "Custom Shop" (ou de alta qualidade) atual?

PARTE 7



LPG: 8 - Fale sobre o teu estúdio em Belo Horizonte, o "Stone Age".

PARTE 8 (final)

Eu e o Oscar gostaríamos de agradecer imensamente ao Tiago pela entrevista. Além de divertida e super interessante, nos trouxe um bocado de informações preciosas, todas de primeira mão! :)

Contatos Tiago Castro / Estúdio Stone Age










sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Gibson LesPaul 2015 - Evolução?

Oscar Isaka Jr

         Entro na Guitar Center de Houston durante uma viagem de trabalho e me deparo com uma parede cheia de Gibsons da linha 2015 recém chegadas na loja. Fiquei curioso quanto às "novas" características que a empresa prometeu para esse ano e fui ver mais de perto o efeito disso tudo na prática, uma vez que a Gibson tem mantido uma política de mudanças meramente estéticas sem muitas novidades até ano passado.


Nos últimos anos (falando da Gibson USA), era quase sempre mais do mesmo, com algumas cores diferentes, combinações de captadores (sempre os mesmos 57 Classic, Burstbuckers e a linha Modern 490,498,500) , pots de push com split, boosts embutidos nas aventuras mais ousadas, mas sempre tentando manter a coisa clássica e atrelada às LesPauls que sempre amamos. Esse conservadorismo da Gibson não é necessariamente "ruim", especialmente pra quem procura uma Les Paul mais próxima possível das clássicas dos anos 50 sem ter que gastar com uma Custom Shop.


Nos idos de 2008 a Gibson já dava mostras que estava tentando galgar chão novo com lançamentos como a Gibson Robot e a FireBird X e ao que parece esse ano a estratégia da empresa parece ter realmente abraçado essa linha "moderna". Os modelos todos têm o visual clássico (apesar de algumas cores diferentes), mas com algumas características diferentes na construção, captadores novos e o sistema G-Force (a evolução do Robot) em quase todos os modelos. Tudo isso com um aumento de preço de 15%-25% em geral. OUCH!!
2015 Les Paul Traditional
Conhecendo o Jacob, gerente da Guitar Center Houston, conversamos um pouco e ele desceu uma Traditional, supostamente o modelo mais tradicional da linha, para que eu pudesse conferir de perto as mudanças estéticas e estruturais, assim como o impacto na tocabilidade, etc.


A Traditional que eu tive a oportunidade de tocar era linda, antes de tudo. Um burst maravilhoso em cima de um flame muito bonito com acabamento realmente de primeira que brilhava mais que carro em salão do automóvel. Parece que a Gibson prestou bastante atenção no padrão estético esse ano e não vemos algumas falhas de acabamento que eram comuns até uns anos atrás. Com empresas como Suhr, PRS e Tom Anderson produzindo verdadeiras obras de arte, já era hora.


Gostei do HeadStock grande, padrão custom/anos 80 com a inscrição "Les Paul 100" (alusão aos 100 anos que Les Paul faria esse ano se estivesse vivo) embora confesso ter estranhado no início. Talvez porque a própria Gibson tenha feito um excelente trabalho em marcar a ferro e fogo em nossas mentes a inscrição Les Paul Model anterior :-) .


Com o corpo feito em peça única, inteiramente sólido (sem alívio de peso na traditional) a guitarra não era muito pesada, acredito na faixa de 4.5Kg, mas estranhei logo de cara o braço pois achei que estava meio largo demais comparando com as minhas Les Paul Gibson. O Jacob me disse que esse era o novo "Assymetric Shape" da Gibson e era mesmo mais largo e ligeiramente mais fino gerando um D-Shape que lembrava um pouco a pegada de uma Ibanez modernosa. De repente a pegada parece ter um feeling moderno onde é mais fácil colocar o polegar apoiado atrás do braço e fritar, bem diferente da famosa pegada roqueira pra tocar um bom Blues!

Eu não gostei, mas concordei com o Jacob que a Gibson talvez esteja querendo conquistar justamente esse público da galera mais técnica, sei lá, apesar de estarem divulgando que esse espaço extra na escala facilita bends e vibratos.......Enfim, Ok, há quem goste....



Na linha 2015 todas as guitarras vêm equipadas com as tarraxas e sistema G-Force que nada mais é que a evolução do sistema de auto afinação introduzido com a Robot. É mais simples de usar,  mais leve, prático e preciso segundo a Gibson. Ele está presente também na Traditional. Testei-o e realmente o sistema funciona bem e de maneira bastante fluida e precisa, com um milhão de possibilidades, mas não consigo parar de pensar se acabar a pilha disso no meio do show e o treco começar a emperrar... rs...
Como disse anteriormente, até reconheço a utilidade especialmente pra quem usa muita afinação alternativa, mas é mais uma inovação que considero dispensável pessoalmente. Por outro lado, sei que o Paulo gosta da ideia... Novamente, questão de gosto!


         Pra não continuar reclamando de tudo, o nut foi uma novidade que achei interessantíssima numa primeira impressão. Aquele NUT de "corian" (leia-se plástico) deu lugar a um modelo ajustável com base no "Zero Fret"(traste 0) de latão, com um sistem de dois parafusos para a regulagem de altura. Uma das coisas que acho mais chatas na regulagem (mas que fazem um mundo de diferença) é a altura do Nut. Com o novo sistema, não gasta facilmente com trocas de cordas e praticamente elimina a possibilidade de trastejamento no primeiro traste, como já aconteceu comigo. Excelente ideia!
Aliás, o hardware todo foi melhorado e a ponte nova e cordal contam com travas e ajuste de altura com parafuso, muito mais fácil que girar aquela rosca antiga.


 
         As novas Traditional também contam com um novo par de captadores, denominados "59 Tribute" e potenciômetros de 500k (volume e tone) e capacitores Orange Drop. Fiquei curioso quando eles foram lançados ano passado e pude testá-los no modelo novo e a sonoridade é ok! Um pouco mais dinâmicos e complexos nos médios que os 57 Classic mas talvez ainda um pouco redondos e lisos demais pro meu gosto. Mas, saturam muito bem. Toquei com eles num JCM800 da loja e num Fender Eric Clapton Twin Tweed e em ambos o som foi muito bom, sem sobras de nada, embora eu tenha sentido falta do ataque PAF que tanto amo. Mas ok, não compromete o resultado final.


         Concluindo, parece que a Gibson dá mostras de estar mirando no público moderno com esses novos modelos 2015. Ao preterir as características tidas como clássicas, com a implementação do G-Force e mudando as medidas do braço entre outras alterações, uma legião de novos guitarristas, antes dominados pela PRS por exemplo, podem ser atraídos a ter novamente uma Gibson LesPaul com visual impecável e  uma pegada e sonoridade levemente mais modernas, deixando as "Bursts" para a Custom Shop produzir. O lado negro disso é que, tunar uma Traditional para "Vintage Specs" como muitos de nós fazíamos para chegar mais perto da original já não será mais tão viável, a não ser que na linha 2016 tudo volte ao "normal" novamente.

Fato é que a gente não sabe mais o que esperar da Gibson, mas digo que HOJE, se eu quiser uma BOA Gibson Les Paul, buscando os sons clássicos sem ir pra Custom Shop, iria atrás de uma Gibson Les Paul Traditional com fabrição de até meados de 2009-10 (Corpo de 1 peça de Mogno com 9 furos de alívio de pesao) ao invés de comprar uma nova linha 2015 na loja.

Isso claro, na minha humilde e pessoal opinião, a galera que curte uma pegada mais moderna vai se deliciar ! :-)