terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Entrevista LPG: Smithers Áudio Transformadores - Teste Indutor de Wah *SORTEIO EFETUADO*

Oscar Isaka Jr
Apesar de todos os problemas políticos e econômicos que nosso país enfrentou, o ano de 2014 foi um bom ano para nós, Loucos por Guitarra. Ultrapassamos a marca de 1.000.000,00 de visualizações, apresentar e conhecer muitos produtos legais e claro agregar muito conhecimento. Nesse meio tempo acabei conhecendo meio que por acidente a Smithers Audio. Sabe aquele lance de um amigo compartilhou um link de Facebook que me chamou atenção e cliquei. rs pronto.


Quando estava pesquisando sobre amps, para entender melhor, modificar, enfim aquilo que eu mais gosto de fazer que é fuçar as origens do nosso timbre de cada dia. Um post no Facebook me levou a um papo com o Leandro, sobre transformadores conforme já referenciei em outros posts e assim vinhamos mantendo contato a medida que a Smithers vinha crescendo e lancando novos produtos, que além dos trafos conta também com Knobs torneados em INOX e um inductor de Wah com 3 opções de indutância.

O Leandro topou a idéia do bate papo que temos feito pro Blog e o resultado vocês podem conferir abaixo:

1- Bem vindo ao nosso Blog Leandro. É um prazer contar a Smithers por aqui. Como começou essa sua aventura no mundo dos trafos até o nascimento da Smithers?
Obrigado Oscar pela oportunidade de expor o trabalho da Smithers áudio. É muito importante um blog como a LPG, explorar este grande mercado, dar oportunidade a fabricantes nacionais, com uma maneira de fácil compreensão cada item fundamental, que vai influenciar no timbre de seu equipamento, sejam eles: guitarra, pedal ou amplificador.
Placa do Princeton
A aventura começou em meados de 98, quando jovem, descobri a guitarra… ouvia Pink Floyd, Led Zeppelin, Iron Maiden e trocava ideias com guitarristas. Em 2001 eu montei meu primeiro amplificador, foi um amigo que levou um Fender Princeton 112 pra eu consertar e vi a oportunidade de copia-lo, dois meses depois consegui fazer a cópia, estava todo orgulhoso… mesmo o gabinete sendo uma caixa de papelão! Rs… as trilhas da placa do circuito todas feitas a mão, era bizarro! mas funcionava muito bem claro que com alguns chiados, zumbidos…, depois montei um segundo e coloquei em um gabinete decente, de madeira e tinha até painel… 


Clone Hiwatt DR-103
A partir disso, pesquisei bastante sobre valvulados, fiquei fascinado com aquela fiação e montagem estilo point-to-point com turrets, em 2004 montei um valvulado, baseado em um Hiwatt DR-103, minha marca era Marco amplificadores valvulados, não fiz muitos amps pois tinha muita dificuldade em comprar componentes. Em 2007, quando trabalhava pra um fabricante de amps e pedais de boutique, estava cursando eletrotécnica que abrange muito transformadores, vi a possibilidade de começar a enrolar na empresa os trafos pois, eles vinham de fora e eram caros. Tive a oportunidade então de projetar e enrolar trafos de força e saída para estes amps, fiquei nesta empresa uns 5 anos e pude analisar vários tipos de trafos, entre eles; Mercury, Heyboer, Hammond, testados com tipos de válvulas diferentes de alta qualidade como; Phillips, Mullard, Tungsram, Tungsol, etc… e bons falantes; Celestion, Jensen, Weber… Isso foi fundamental para acostumar os ouvidos, que até então eram influenciados por gravações, lendas e “achismos” de músicos! Enfim, saí desta empresa e mudei totalmente de ramo, era eletrônica, mas não no áudio, até que comecei a prestar serviços para outro fabricante, o Pedrone, e ele me incentivou muito a voltar a enrolar os trafos. Em 2012, retomei a idéia, criei a logomarca, queria algo bem estilo “old industrial”, investi em um bom maquinário, entre eles, uma bobinadeira CNC de alta precisão. Calculei os trafos de saída de guitarra com um pouco da técnica de enrolamento do Hi-Fi, para um melhor desempenho e definição sonora. Minha meta sempre foi focar na máxima qualidade dos componentes e acabamento fino, para transparecer sua perfeita montagem (ou próximo disto, odeio a idéia de que nada é perfeito! Isso me faz pensar que estou fazendo porcaria…. Rs…) Defini como seriam embalados, com caixa de madeira e pelúcia por dentro, um luxo! Demorei um ano pra colocar o site no ar e abrir as vendas, e enfim, hoje temos trafos de saída para amplificadores valvulados de guitarras, baixos e alguns para Hi-Fi.
                                 
Transformadores Hi-Fi

2- É notável que o brasileiro está mais exigente . Como você enxerga o Mercado nacional de amplificadores valvulados,?
Na época que comecei só conhecia dois fabricantes; a Tubeamps e Serrano e logo apareceram outros e nem sempre ganhava o que tinha mais qualidade, mas sim, o menor preço. Prova disso foram alguns hand-makers que pegaram encomendas, dinheiro e nunca entregaram, lamentável pois o mercado ficou marginalizado e só depois de um tempo que foram se formando boas marcas. Parece redundante, mas hoje são poucos os brasileiros que valorizam o mercado nacional. Um péssimo hábito que vejo, é que pra eles sempre o produto nacional tem que ser barato, mesmo que seja melhor que um importado. É difícil convencer que, manter um produto tão específico, montado a mão, com componentes de qualidade (muitos deles importados que só aí são cobrados mais de 60% em impostos e não dá pra fugir deles pois aqui no Brasil, por exemplo, não se fabrica válvula) Custa muito caro, sem contar a mão de obra…. É necessário investir bastante na marca,  pra ela realmente conquistar esta fatia mais exigente do mercado.

                                         

3 - Falando da parte técnica, um pergunta que tenho certeza todos estão se fazendo , é qual a influência de um BOM trafo no timbre do amp?

Imagine um teletransporte de ficção científica; o sujeito entra por uma porta e cientificamente a matéria é transformada em pulsos elétricos, são transmitidos até a outra porta sendo convertido de pulsos elétricos para matéria e por fim sai. É exatamente isso que acontece em um trafo de saída; uma tensão com uma frequência entra pela porta (primário) esta se transforma em fluxo magnético no núcleo, em seguida o secundário é induzido por este fluxo liberando uma tensão elétrica. Agora este teletransporte tem de ter 100% de precisão, se não o sujeito pode sair pela outra porta faltando um braço, perna ou que for… O que quero dizer, é que passa pelo trafo 100% do sinal de saída de seu amp, por isso ele tem que ser bem projetado pois são diversos fatores que determinam se a saída será ou não influenciada, ou quase, pois fisicamente é impossível projetar um transformador 100% preciso sem perdas. 
Lembrando que o trafo de saída sozinho não pode responder pelo todo, o conjunto tem que ter boa qualidade; o circuito, válvulas e falante(s).
4 - Sempre leio os especialistas gringos dizerem que um bom trafo tem "50% de especs técnicas e 50% de magia negra" numa alusão ao bom timbre atribuido a alguns modelos. A Mercury Magnetics é famosa nos EUA por produzir excelentes transformadores de amps valvulados. Pode nos dizer em linhas gerais alguns dos diferenciais de um bom trafo?

 Este meio sempre foi recheado de contos e lendas! Fica bem fácil criar um marketing em cima… Rs… Um bom trafo tem que ter um bom intrelace entre camadas, exemplo; trafo de força você enrola o primário e depois o secundário por cima, pronto. No saída se você fizer isso, o trafo não vai responder na faixa dos agudos, vai ter uma perda absurda de indutância entre enrolamentos, e uma alta capacitância esta que seria responsável pela perda de agudos. 





Quando você divide o primário/ secundário em várias camadas e intercala cada, você terá um melhor acoplamento indutivo entre camadas, reduzirá bastante a capacitância, enfim a resposta melhora e muito! Para guitarras geralmente os fabricantes dizem que por a guitarra operar em uma faixa pequena de frequência, não há necessidade de várias camadas, o comum de se usar são 3 ou no máximo 5 camadas; (prim./sec/prim., este é exemplo de vários fabricantes inclusive da Heyboer, fornecedor da Fender hoje). O de 5 camadas (prim./ sec./ prim/ sec/ prim.) este é exemplo de modelos top da Mercury. Os meus, eu faço no mínimo 7 camadas e o SM45 por exemplo, tem 9 camadas ( prim./ sec./ prim./ sec/ prim./ sec./ prim./ sec./ prim.) Isso aumenta esta faixa de resposta de frequência, isso faz que ele reproduz aquele estalo da palhetada, a nota soa definida e deixa o circuito de tonalidade bem mais funcional. Outra característica marcante na fabricação meus trafos, cada camada de enrolamento, por exemplo, o primário terá 3 camadas seguidas, então cada camada tem o mesmo tamanho, com os fios juntos e com isolamento entre cada. São impregnados com um verniz próprio numa câmara a vácuo, isso proporciona um maior isolamento, o bobinado fica livre de espaço vazio que poderia penetrar umidade, e também por ficar bem fixo, o trafo fica livre de entrar em ressonância com algum ruído, isto acontece quando a impregnação é ruim e o enrolamento começa a vibrar. Há uma discussão enorme a respeito de núcleo, GO x GNO, eu prefiro núcleo C!



Por outro lado, o diferencial para um bom trafo de saída pode não ser seu bom dimensionamento…. as vezes usar um trafo com núcleo menor faz você achar o timbre que procura, você tem uma saturação mais cedo, com menos volume, dependendo do seu gosto isto pode lhe agradar. Vi muitos casos também do dono usando o falante em diferente impedância, (ligar um falante de 4 ohms em saída de 8 ohms), isso não é recomendável, mas se o timbre agradou e ele tem possibilidade de comprar novas válvulas ou até um novo trafo, no caso de vir a queimar, ué, seja feliz! 
5- Alem dos trafos, a Smithers também tem knobs usinados e um inductor triplo de Wah. Pode nos falar um pouco dessa diversificação de produtos da Smithers?
Nosso foco é a fabricação de trafos de saída, mas como sou inquieto, gosto de fazer de tudo um pouco, vi uma oportunidade de fazer os knobs, mas fora do padrão tradicional, queria com alta qualidade, digno de ser colocado em uma guitarra cara ou um Hi-Fi, e estes são usinados um a um em uma única peça de inox, material que não oxida e nem enferruja, ideal pra quem tem suor em excesso nas mãos. Quem faz a usinagem é meu pai, aposentado, tem mais de 40 anos de experiência no assunto. Os indutores eu quis inovar, não vi nenhum no mercado com três diferentes indutâncias na mesma peça, me perguntei; se a indutância faz diferença no som e temos a possibilidade de fabricar com valores de indutância a mais, porque não fazer? É mais trabalhoso, requer mais mão de obra, mas é um produto único e que deixa versátil a escolha de timbre.

6- E o futuro? Pra onde vai a Smithers a partir de 2015? Novos produtos/planos?
Continuar com o alto padrão de qualidade é certo. Pretendo expandir a área de usinagem, oferecer serviços de precisão para áudio. Tenho muitas idéias e pouco tempo para executa-las, não vou revelar aqui pois alguém pode rouba-las! Rs…. Vou contar só uma, tempos atrás fiz um teste enrolando um capacitor à óleo, fiz um com .1uF de capacitância, impregnei com óleo, testei apenas no osciloscópio e capacímetro e estava ok, em testes recentes percebi que ele se manteve estável depois de um ano. Estou pensando seriamente em colocar esta idéia em prática e quem sabe teremos capacitores à óleo específicos para áudio em 2015.
Gostaria de agradecer novamente pela oportunidade, e agradecer quem teve paciência de ler tudo… Obrigado!
                                          

Depois do bate papo mãos a obra :-)
Eu já conhecia a alta qualidade dos trafos  do Leandro pelos amps do Pedrone, então sabia que o indutor de Wah não teria como ser ruim. Como eu já estava com uma carcaça aqui meio parade de um VOX xing-ling, era o incentivo que eu precisava para terminar o bicho. O Leandro me enviou um com as palavras "Oscar, teste e veja o que acha, e não hesite em dizer que está tudo errado se assim você achar". Desde o começo o compromisso do Leandro com a qualidade ficou muito claro.

                                     

A galera que me conheçe sabe que eu gosto de me aventurar no mundo de montar pedais. Existe muita fonte confiável na internet hoje entre forums e sites que explicam o básico pra vc ser mordido pelo lance do HandMade e sinceramente não precisa ser formado em electronica pra montar seu Tube Screamer e começar. Eu mesmo não tenho nenhuma formação em eletrônica, e o pouco que sei foi pesquisando e lendo da internet bem como ajuda de amigos que manjam mais do assunto, e claro metendo a mão na massa. Experimentar e ouvir, como tudo é crucial nesse mundo dos pedais mas ja adianto que não adianta me perguntar sobre montagem e circuito de pedais, pois não tenho o conhecimento teórico da coisa pra saber explicar e etc. OK? :-)

Pra esse Wah eu usei uma placa pronta do projeto Wheener Wah II, comprada da MadBeanPedals , que alias recomendo fortemente. As placas são espetaculares e tem documentação perfeita de todas as nuances do circuito e etc. O Wheener Wah é baseado no Clássico Clyde McCoy com algumas mods então seria perfeito pro teste com o Indutor da Smithers. Depois de pronto é assim que ele ficou:



O teste comprovou o resultado. Um timbre de WAH muito liso e bonito como eu já havia ouvido no Fulltone Clyde Deluxe por exemplo e outros Wahs clássicos. A variação dos indutores é bacana e muda a vocalização de Wah, pra Weh ou Who  e associado aos diferentes valores de capacitors o leque abre ainda mais, indo de um Wah mais gordo e cheio ao mais Funky e magrinho. Isso pq eu usei um pot Alpha xing-ling que estava no VOX antes, se colocar um POT BOM de wah, com o sweep certo acredito que o resultado seria ainda melhor.


Eu vou gravar uma pequena demo do WAH que eu montei com o indutor pra vc`s ouvirem. Devo atualizar o post logo com a demo. 

Contato:
Smithers Audio
www.smithersaudio.com.br
www.facebook.com/smithersaudio


  

Gostaram? Pois como especial de natal o Leandro disponibilizou 3 indutores para sorteio entre os leitores do Blog.

O regulamento vai ser o seguinte:

- Para participar basta deixar um comentário com a frase "Quero um Indutor Smithers"com o e-mail para contato.
- Só serão considerados para o sorteio comentários que tenham ambas as frases e o e-mail para contato. Se um desses dois não estiver presente, o mesmo será desconsiderado para o sorteio.
- O sorteio será através do site SorteiosPT.com.
- Vou pegar todos os e-mails que forem postados para o sorteio e inserí-los na lista do SorteiosPT.
- 3 e-mails serão sorteados e serão os ganhadores.

Ganhadores serão divulgados aqui mesmo nesse post no dia 29 de Dezembro com as instruções para que possamos entrar em contato e também enviar o prêmio.

Eu e o Paulo gostaríamos de agradecer a todos os nossos leitores pelas muitas horas de papo e confraternização nesse nosso espaço. Que 2015 venha com muito mais novidades a todos nós e claro muitas guitarras, amps pedais e muito mais horas de bate-papo.

Desejamos a todos um feliz natal e um próspero 2015 a todos!

___________________________________________________________________________

Bom pessoal, acabei de efetuar o sorteio e o resultado pode ser conferido abaixo:

A lista continha 53 itens. A seguinte lista foi sorteada de forma aleatória.
1- evertoncadan@hotmail.com
2- sergiofillol@gmail.com
3- lucapimentel@gmail.com

Parabéns aos ganhadores do Indutor Smithers! 
Em breve entrarei em contato para enviar o seu prêmio!


terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Ponte MANARA para Stratocaster



Oscar Isaka Jr

         Eu tinha certeza que depois do bloco, já famoso, e da alavanca "Pop-in", não demoraria muito para que o mestre Carlos Manara nos brindasse com uma ponte completa para Strato. Acho que de tanto a gente insistir ele atendeu! :-D



Assim que ele me avisou que tinha uma pronta nas especificações e espaçamento Vintage, ele me contactou e eu já pedi uma para teste. Em todas as minhas guitarras eu uso a ponte da linha Fender American Vintage, que equipa toda a linha Fender USA e Custom shop que tem a ponte de 6 parafusos. Na minha "Blue", usei ainda saddles da Raw Vintage, que diz que analisou e reproduziu o aço usado nos saddles originais dos anos dourados da Fender pré-CBS. Nada melhor do que trocar a ponte toda dessa guitarra pelo novo tremolo Manara para um teste comparativo. :-)

Pois bem, recebi a ponte toda desmontada em saquinhos. Fui montando e já pude constatar a qualidade e capricho que já conhecemos do Carlos. Sempre procuro por imperfeições na cromagem, niquelagem ou acabamentos no processo de usinagem e não achei nenhum detalhe negativo na ponte toda. Acabamento excelente!


A ponte vem completa com tudo o que vc precisa para a instalação. É só ir montando e pronto, não tem muito segredo. No entanto, dessa vez fiz algo que até então não tinha conseguido me acertar direito, que é a regulagem da ponte flutuante, como o Carl Verheyen faz no vídeo abaixo.

 


O Carlos me enviou umas instruções para tal por e-mail quando estávamos trocando uma ideia sobre o assunto e resolvi testar. Não é que funciona e funciona muito bem? Tentando, descobri que o segredo está na qualidade das molas usadas no tremolo e um pouco de insistência na coisa toda. O Carlos está fabricando um conjunto de molas que afirmo sem nenhuma dúvida serem as melhores que já usei para esse tipo de regulagem. Melhores que as da Fender? Olha, vou dizer que com as Fender que vinham nas minhas pontes nunca obtive uma regulagem satisfatória com a ponte Flutuante.

Vou transcrever as instruções diretamente do Carlos, feitas na sua SX com tarraxas originais e o tremolo Manara. 

Oscar, vou tentar passar pra vc a afinação Flutuante:

Eu uso tarraxas simples mesmo chinesas, quando coloco as cordas dou no máximo duas voltas na haste da tarraxa. seguro a corda com a mão direita puxando a corda pra cima e o dedo indicador mantendo a corda no canal do nut e com a esquerda vou girando para esticar a corda. 

1- Afrouxe as cordas, mas não tudo, somente para tirar quase toda tensão.

2- Coloque as três molas,  estique as molas em ângulo de forma que a mola mais curta fique apenas um pouco esticada mas não estique muito porque a alavanca fica dura e não dá regulagem. A alavanca tem que ficar bem levinha. Esse ângulo serve para compensar as cordas mais grossas e isso significa que todas as cordas vão exercer a mesma tensão ou seja, essa tensão fica bem distribuída igualmente nas seis cordas.

3- Solte um pouco os seis parafuso que prendem a placa ao corpo umas 5 voltas. Depois da ponte estabilizada aperte os parafuso mas sem tocar na placa.

3- Afine todas as cordas com o afinador, e vá reparando que a ponte vai descolando do corpo. Ela tem que ficar bem descolada do corpo, uns 6mm mais ou menos. 

4- Dê umas alavancadas de leve, pra baixo e pra cima. Ela vai desafinar, mas vá afinando e alavancando até a afinação estabilizar. Tem que ter paciência e insistir.

5- Depois de afinada verifique a altura da ponte descolada do corpo - se for o caso, solte um pouco as três molas (ou aperte) - mantenha descolada em torno de 6mm. com a guitarra afinada.

6- Cuidado com cordas novas. Elas demoram muito para estabilizar.

Tem que insistir, depois que vc conseguir é só correr pro abraço.


Instalei a ponte na minha Strato Blue e de cara já notei o timbre. Não deu nem vontade de voltar pra Fender, pois estava tudo lá intacto. O DNA da guitarra estava inalterado e arrisco dizer que o grave estava um pouco mais profundo talvez. Fiz a regulagem da ponte flutuante e voilà, funcionou como uma luva! 
Eu que sempre defendi a Strato com tremolo colado no corpo, passei a deixar a ponte da minha Strato No 1 flutuando e feliz da vida :-).


 

         A ponte do Carlos vem com molas normais para o setup de alta tensão com a ponte colada no corpo. Para adquirir as molas especiais para o setup de ponte flutuante, você precisa encomendar as molas separadamente na hora de comprar sua ponte. 

         Vou dizer sem medo que a ponte que o Carlos Manara está oferecendo aqui mesmo no Brasil tem o mesmo nível de capricho e qualidade que a Callaham, tão famosa lá fora. Certamente no comparativo com a ponte Fender com saddles Raw Vintage ela não perdeu em nada, pelo contrário, ganhou a posição de titular! 

Vida longa ao Carlos e que ele continue a nos brindar com ótimos produtos como essa ponte! 

 Contatos:
Telefone: 0xx-11-4607-0236

domingo, 2 de novembro de 2014

Crônicas VINTAGE: Tiago Castro

Paulo May



           Já é fato notório que eu e o Oscar somos fissurados por equipamento vintage e volta e meia abordamos isso aqui. Então resolvemos criar uma seção especial - com logo próprio - denominada "Crônicas Vintage".
A palavra "Vintage", provavelmente de origem inglesa, inicialmente relacionava-se à data de uma (boa) safra de vinho, mas hoje em dia traduz quase tudo que é "antigo e de qualidade" (oxford dictionary: "Denoting something from the past of high quality, especially something representing the best of its kind"). No nosso meio, qualquer equipamento antigo de qualidade pode ter o status de vintage. Dito isso, concluímos que tudo que é vintage é antigo, mas nem tudo que é antigo é vintage...

         Essa primeira crônica vintage acabou nascendo meio por acaso: há uns dois meses recebi algumas fotos do meu amigo e luthier Adriano Ramos (RDC Guitars), de BH, com equipamentos vintage de um cara chamado Tiago Castro. Numa das fotos, o Adriano segura uma stratocaster Fender original de 1956:

Adriano Ramos e a strato de 1956.

"E isso é só uma pequena parte" - me contou o Adriano - "O Tiago tem um monte de equipamento vintage: amps, pedais, guitarras, etc." Com o Adriano fazendo o meio de campo, consegui um contato pessoal com o Tiago Castro e à medida que ele ia me descrevendo o que tinha e sua história pessoal, sugeri uma entrevista... "Isso é o tipo de coisa que os leitores do blog adorariam saber" - comentei com o Tiago. :)

Como raramente erro na minha primeira impressão, o Tiago confirmou ser uma pessoa excepcional. Inteligente, gentil, educado, prestativo... Enfim, um cara que qualquer um de nós gostaria de ter como amigo. 

Assim como nós, o Tiago é um guitarrista (e atualmente também produtor e dono de estúdio) apaixonado por equipos vintage e foi essa uma das razões que o levou aos EUA em 1999, numa viagem que acabou durando dez anos e uma cidadania americana... :). Durante esse período, ele trabalhou na sessão vintage da Guitar Center de Hollywood/LA, mais conhecida como "Hollywood Vintage"



Abaixo, uma foto do Tiago na época que trabalhava na Hollywood Vintage:

Tiago Castro

Claro, um cara louco por vintage trabalhando na seção vintage da Guitar Center... Não podia dar outra: sua coleção pessoal começou a crescer exponencialmente:

Guitarras

Amplificadores


Pedais/Efeitos


Estúdio

Enviei cerca de oito perguntas por e-mail e o Tiago respondeu a entrevista em áudio. A minha ideia inicial era transcrever, mas à medida que ia ouvindo, pensei: "Não, não... Tenho que postar o áudio mesmo - isso tá muito legal..." Deu um trabalhão danado colocar imagens e fazer uma coisa mais "audiovisual", mas eu e o Oscar achamos que vocês merecem :)

 ENTREVISTA COM TIAGO CASTRO

Fizemos um vídeo para cada uma ou duas perguntas. Seguem:

 LPG: 1 - Conte sobre a tua ida para os EUA, o emprego na Guitar Center, por que a sessão "Vintage" e por que eles optaram por um brasileiro?

PARTE 1


LPG: 2 - Como era trabalhar na GC, e/ou, com os americanos em geral? Ficaste muitos anos nos EUA... Imagino que tenhas conseguido um green card ou coisa parecida...
LPG : 2b: Suponho que os brasileiros que apareciam por lá eram encaminhados pra ti... O brasileiro tem alguma característica interessante/curiosa, além da fama de testar/tocar e raramente comprar? :)

PARTE 2


LPG: 3 - Podes relatar algumas curiosidades, fatos inesperados e oportunidades que apareciam nessa área da GC?

PARTE 3


LPG: 4 - Como avalias uma guitarra vintage? Pelo valor "vintage" intrínseco, pelo timbre ou ambos? Experts falam que muitas guitarras antigas, mesmo as clássicas Gibson e Fender, podem soar "normais" e até eventualmente ruins, com timbres feios...

PARTE 4


LPG: 5 - Fale-nos um pouco sobre o teu equipamento vintage...


PARTE 5


LPG: 6 - A Fender Stratocaster de 1956 merece uma atenção exclusiva. Fale-nos mais sobre ela.

PARTE 6



LPG: 7 - Dá pra comparar uma guitarra vintage com uma "Custom Shop" (ou de alta qualidade) atual?

PARTE 7



LPG: 8 - Fale sobre o teu estúdio em Belo Horizonte, o "Stone Age".

PARTE 8 (final)

Eu e o Oscar gostaríamos de agradecer imensamente ao Tiago pela entrevista. Além de divertida e super interessante, nos trouxe um bocado de informações preciosas, todas de primeira mão! :)

Contatos Tiago Castro / Estúdio Stone Age










sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Gibson LesPaul 2015 - Evolução?

Oscar Isaka Jr

         Entro na Guitar Center de Houston durante uma viagem de trabalho e me deparo com uma parede cheia de Gibsons da linha 2015 recém chegadas na loja. Fiquei curioso quanto às "novas" características que a empresa prometeu para esse ano e fui ver mais de perto o efeito disso tudo na prática, uma vez que a Gibson tem mantido uma política de mudanças meramente estéticas sem muitas novidades até ano passado.


Nos últimos anos (falando da Gibson USA), era quase sempre mais do mesmo, com algumas cores diferentes, combinações de captadores (sempre os mesmos 57 Classic, Burstbuckers e a linha Modern 490,498,500) , pots de push com split, boosts embutidos nas aventuras mais ousadas, mas sempre tentando manter a coisa clássica e atrelada às LesPauls que sempre amamos. Esse conservadorismo da Gibson não é necessariamente "ruim", especialmente pra quem procura uma Les Paul mais próxima possível das clássicas dos anos 50 sem ter que gastar com uma Custom Shop.


Nos idos de 2008 a Gibson já dava mostras que estava tentando galgar chão novo com lançamentos como a Gibson Robot e a FireBird X e ao que parece esse ano a estratégia da empresa parece ter realmente abraçado essa linha "moderna". Os modelos todos têm o visual clássico (apesar de algumas cores diferentes), mas com algumas características diferentes na construção, captadores novos e o sistema G-Force (a evolução do Robot) em quase todos os modelos. Tudo isso com um aumento de preço de 15%-25% em geral. OUCH!!
2015 Les Paul Traditional
Conhecendo o Jacob, gerente da Guitar Center Houston, conversamos um pouco e ele desceu uma Traditional, supostamente o modelo mais tradicional da linha, para que eu pudesse conferir de perto as mudanças estéticas e estruturais, assim como o impacto na tocabilidade, etc.


A Traditional que eu tive a oportunidade de tocar era linda, antes de tudo. Um burst maravilhoso em cima de um flame muito bonito com acabamento realmente de primeira que brilhava mais que carro em salão do automóvel. Parece que a Gibson prestou bastante atenção no padrão estético esse ano e não vemos algumas falhas de acabamento que eram comuns até uns anos atrás. Com empresas como Suhr, PRS e Tom Anderson produzindo verdadeiras obras de arte, já era hora.


Gostei do HeadStock grande, padrão custom/anos 80 com a inscrição "Les Paul 100" (alusão aos 100 anos que Les Paul faria esse ano se estivesse vivo) embora confesso ter estranhado no início. Talvez porque a própria Gibson tenha feito um excelente trabalho em marcar a ferro e fogo em nossas mentes a inscrição Les Paul Model anterior :-) .


Com o corpo feito em peça única, inteiramente sólido (sem alívio de peso na traditional) a guitarra não era muito pesada, acredito na faixa de 4.5Kg, mas estranhei logo de cara o braço pois achei que estava meio largo demais comparando com as minhas Les Paul Gibson. O Jacob me disse que esse era o novo "Assymetric Shape" da Gibson e era mesmo mais largo e ligeiramente mais fino gerando um D-Shape que lembrava um pouco a pegada de uma Ibanez modernosa. De repente a pegada parece ter um feeling moderno onde é mais fácil colocar o polegar apoiado atrás do braço e fritar, bem diferente da famosa pegada roqueira pra tocar um bom Blues!

Eu não gostei, mas concordei com o Jacob que a Gibson talvez esteja querendo conquistar justamente esse público da galera mais técnica, sei lá, apesar de estarem divulgando que esse espaço extra na escala facilita bends e vibratos.......Enfim, Ok, há quem goste....



Na linha 2015 todas as guitarras vêm equipadas com as tarraxas e sistema G-Force que nada mais é que a evolução do sistema de auto afinação introduzido com a Robot. É mais simples de usar,  mais leve, prático e preciso segundo a Gibson. Ele está presente também na Traditional. Testei-o e realmente o sistema funciona bem e de maneira bastante fluida e precisa, com um milhão de possibilidades, mas não consigo parar de pensar se acabar a pilha disso no meio do show e o treco começar a emperrar... rs...
Como disse anteriormente, até reconheço a utilidade especialmente pra quem usa muita afinação alternativa, mas é mais uma inovação que considero dispensável pessoalmente. Por outro lado, sei que o Paulo gosta da ideia... Novamente, questão de gosto!


         Pra não continuar reclamando de tudo, o nut foi uma novidade que achei interessantíssima numa primeira impressão. Aquele NUT de "corian" (leia-se plástico) deu lugar a um modelo ajustável com base no "Zero Fret"(traste 0) de latão, com um sistem de dois parafusos para a regulagem de altura. Uma das coisas que acho mais chatas na regulagem (mas que fazem um mundo de diferença) é a altura do Nut. Com o novo sistema, não gasta facilmente com trocas de cordas e praticamente elimina a possibilidade de trastejamento no primeiro traste, como já aconteceu comigo. Excelente ideia!
Aliás, o hardware todo foi melhorado e a ponte nova e cordal contam com travas e ajuste de altura com parafuso, muito mais fácil que girar aquela rosca antiga.


 
         As novas Traditional também contam com um novo par de captadores, denominados "59 Tribute" e potenciômetros de 500k (volume e tone) e capacitores Orange Drop. Fiquei curioso quando eles foram lançados ano passado e pude testá-los no modelo novo e a sonoridade é ok! Um pouco mais dinâmicos e complexos nos médios que os 57 Classic mas talvez ainda um pouco redondos e lisos demais pro meu gosto. Mas, saturam muito bem. Toquei com eles num JCM800 da loja e num Fender Eric Clapton Twin Tweed e em ambos o som foi muito bom, sem sobras de nada, embora eu tenha sentido falta do ataque PAF que tanto amo. Mas ok, não compromete o resultado final.


         Concluindo, parece que a Gibson dá mostras de estar mirando no público moderno com esses novos modelos 2015. Ao preterir as características tidas como clássicas, com a implementação do G-Force e mudando as medidas do braço entre outras alterações, uma legião de novos guitarristas, antes dominados pela PRS por exemplo, podem ser atraídos a ter novamente uma Gibson LesPaul com visual impecável e  uma pegada e sonoridade levemente mais modernas, deixando as "Bursts" para a Custom Shop produzir. O lado negro disso é que, tunar uma Traditional para "Vintage Specs" como muitos de nós fazíamos para chegar mais perto da original já não será mais tão viável, a não ser que na linha 2016 tudo volte ao "normal" novamente.

Fato é que a gente não sabe mais o que esperar da Gibson, mas digo que HOJE, se eu quiser uma BOA Gibson Les Paul, buscando os sons clássicos sem ir pra Custom Shop, iria atrás de uma Gibson Les Paul Traditional com fabrição de até meados de 2009-10 (Corpo de 1 peça de Mogno com 9 furos de alívio de pesao) ao invés de comprar uma nova linha 2015 na loja.

Isso claro, na minha humilde e pessoal opinião, a galera que curte uma pegada mais moderna vai se deliciar ! :-)

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Entrevista LPG: Amplificadores Pedrone

Oscar Isaka Jr
          Recentemente tivemos o prazer de conhecer e conversar com ninguém menos que Augusto Pedrone, idealizador e proprietário da "Pedrone Amplifiers", que tenho certeza, todos já ouvimos falar.
O Pedrone nos contactou há uns dois meses com algumas perguntas sobre uma Strato que estava montando e depois de muitas conversas via FaceBook combinamos de gravar algo pro Blog. Fui até São Paulo e durante uma manhã de sábado batemos um papo bacana sobre quase tudo e o resultado vocês conferem aqui em mais uma Entrevista LPG: :-)


          Durante a visita eu pude testar e ver pessoalmente os modelos que estão no vídeo e posso dizer que fiquei abismado com a qualidade dos amps. Superou e muito a expectativa que eu tinha, bem como todo o conhecimento técnico e experiência do seu idealizador. O Pedrone além de um cara muito atencioso e gente fina, sabe muito de tudo o que faz e não dá ponto sem nó. A construção é impecável (a placa que vc`s podem ver no vídeo é do Pegasus) tanto na placa como no ponto a ponto e a sonoridade excepcional.


Overdone
É uma pena que não tivemos tempo para gravar áudios detalhados de todos os modelos, mas já adianto que o SuperClean é fenomenal. O timbre BlackFace que eu mencionei no post sobre o Deluxe Reverb está lá em todo seu esplendor com a vantagem de poder ser usado com pedaleira (tem um Return no power). O detalhe que ele faz o Super Clean também com as válvulas KT88 que tem um pouco mais de punch e graves que a 6L6 clássicas. Eu pude tocar com ambos e gostei muito.

 SUPERCLEAN



O Pegasus é um show também. Ele conseguiu unir o JCM800 com o PLEXI e o que temos é basicamente um amp com dois canais sendo que o PLEXI tem volume CLEAN suficiente e o JCM800 além do modo clássico tem o modo AFD, onde ele adiciona um estágio a mais de ganho de válvula pra dar ainda mais saturação. Detalhe que não há sobras de agudos como observamos em alguns Marshall e clones. Tudo muito bem tunado e pensado.
PEGASUS



O Buffalo é o novo modelo lançado na última ExpoMusic. Derivado do modelo SLO 3 Mod antigo, é o Soldano com mais opções de canais e timbres que vão desde o Clean (clean mesmo), passando pelo Crunch e toda a fúria do HighGain. O Pedrone basicamente pegou o timbre do Soldano SLO e adicionou mais funcionalidade.

 BUFFALO



O Overdone... Pootzz.. esse é um caso a parte! Sou suspeito pra falar de Dumble mas a cara dele diz tudo. Faço das minhas palavras as de Kleber Kashima que também testou o Overdone "Foi a primeira vez que ouvi a complexidade e riqueza do TwoRock em outro amp".

 OVERDONE


          Combinei com o Pedrone que faríamos alguns reviews dos Amps de linha aqui pra vocês caso haja interesse, com mais tempo para análise das possibilidades, testes com várias guitarras e situações.
Em todos os modelos que eu testei pude observar algo que eu não vejo/ouço com muita frequência na maioria dos amps por aí: a transparência nos médios e graves. Ouve-se tudo, os harmônicos, a dinâmica, sem sobras de agudos e sem aquele som meio entupido de agudos pálidos. E eu acredito que isso se deva a qualidade e cuidado com componentes, não só do circuito do amp, como Trafos. É a principal diferença que eu ouvi no meu Deluxe Reverb quando instalei os transformadores Mercury. Vale lembrar que o Pedrone usa trafos Smithers, fabricados pelo Leando aqui mesmo no nosso Brasil ! :-)




É realmente muito bom poder conhecer um cara como o Augusto Pedrone entregando produtos de tão boa qualidade. A preocupação em oferecer nada além do melhor fica muito clara em tudo sem se prender a nenhum tipo de paradigma.

Uma manhã de sábado em que o LPG não só ganhou mais um parceiro, mas também um grande amigo. Vida longa ao Pedrone e que ele possa continuar nos entregando esses produtos maravilhosos!
Contato:
Pedrone Amplificadores
Telefone (11) 3672-3783 (segunda a sexta, das 9:30 as 18:30)
Facebook - www.facebook.com/PedroneAmplificadores
Canal do Youtube - www.youtube.com/user/pedroneamps
Google + - www.google.com/+PedroneBr
Email - contato@pedrone.com.br 

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Baixista e.... Político! Putz!

Paulo May
Esse aí de baixo, com pinta de político é baixista e meu irmão...


Vou começar com uma piada múltipla sobre baixistas só pra aliviar esse banner aí de cima:

Quantos baixistas são necessários para trocar uma lâmpada?

1. Um, mas o guitarrista tem que mostrar como se faz.
2. Não se preocupe. Deixe sem. Ninguém vai notar.
3. Seis: um para trocá-la e cinco para bater no guitarrista solo que está roubando a luz.
4. Nenhum. Eles deixam o tecladista fazê-lo com a mão esquerda.

Depois, uma explicação antecipada pelo post: já disse aqui inúmeras vezes que não fazemos propaganda injustificada. Quando apoiamos alguém ou algum produto é porque há sempre um mérito intrínseco confirmado pessoalmente por nós. Embora eu possa garantir, mais do que em qualquer outro post o mérito da questão, o assunto é "off topic", por isso peço a permissão (e consideração) de vocês para o que segue:

          Uma das melhores ideias que tive na vida foi aos 17 anos: ensinei meu irmão (André/Deka May) a tocar baixo! KKK!
Não que eu fosse bom o bastante pra ensinar alguém, mas ter um baixista disponível o tempo todo era (e ainda é) um luxo pra poucos... :)
Resumindo uma história igual a milhares de outras, montamos uma banda (Ratones e depois Tubarão) e durante mais de 15 anos tocamos juntos, fizemos centenas de shows e gravamos alguns discos.
Como a maioria dos irmãos, temos personalidades distintas. Ele é calmo, extremamente ponderado (libriano...), francamente otimista e solícito. Eu, ansioso, polarizado, pragmático e teimoso. Ele com o pé no chão e eu com a cabeça no ar.
Obviamente ele que passou a cuidar da estrutura da banda e o porra louca aqui ficou com a parte "artística". Não foram poucas as vezes que brigamos por causa dos direcionamentos que deveríamos seguir, mas o tempo mostrou que quase sempre ele tinha razão. Fosse por mim, no primeiro ano já estaríamos falidos - teria gasto tudo em equipamento! :)

Irmão é foda. Quem tem sabe disso. A gente às vezes até cai na porrada, mas irmão é irmão - sempre o primeiro a nos levantar quando caímos.

As duas fotos/colagens que seguem mostram nosso primeiro (1980?) e último (2003?) show oficialmente como banda, ambos na nossa cidade natal, Tubarão/SC. 



      1980                                  


2003

          O Deka é um ano mais novo que eu, portanto convivo com ele há exatos (ele nasceu em 30/9) 53 anos - tempo suficiente pra conhecer profundamente a sua essência, seu caráter. E garanto-lhes, seu caráter é irretocável, de alta magnitude. Provavelmente herdou do nosso pai, falecido há 3 anos, esse lado honesto, positivo e amável diante das pragas da vida. Deve ter herdado também - nesse caso infelizmente penso eu - a vocação política.
A política roubou alguns anos da vida do meu pai e já nos fez perder até a própria casa devido a dívidas de campanha. Além disso, via de regra não gosto de políticos, portanto considero o político "profissional" um estorvo absolutamente desnecessário.

Mas agora o Deka é candidato a deputado estadual (Santa Catarina) e, como eu disse, irmão é irmão, portanto tô com ele onde quer que ele vá, mesmo nesse esgoto que está a política no país. Ele tá convicto que precisa encarar esse desafio insalubre para tentar melhorar algumas coisas para as pessoas (e em especial, os músicos de SC).
Bem, talvez o estado esteja realmente precisando de um cara honesto, prático e otimista pra dar uma equilibrada geral.

Diferente do Deka, sou (não nego, me odeio por isso e tô batalhando pra melhorar) um cara orgulhoso. Detesto pedir algo para as pessoas, mesmo as mais íntimas, mas dessa vez me curvo, peço desculpas novamente pelo post "político" e se tu és de Santa Catarina, peço o teu voto, de coração e confiança, para o meu irmão Deka May.
O número é 11222 - mais fácil de lembrar que um acorde gavetão de dó maior :)

Abraço e muito obrigado!

Paulo May


PS: Ele é baixista... Ninguém é perfeito! KKK!





quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Amp Talk: Fender 65 Deluxe Reverb Reissue


Oscar Isaka Jr.

     Já faz algum tempo que queria escrever sobre esse amp aqui. Talvez um dos amps mais ouvidos em gravações de de Blues/Rock/Country desde os anos 60, o Deluxe Reverb virou um ícone do timbre Fender da era BlackFace. Sempre fui fascinado pelo timbre Fender BlackFace e o Deluxe Reverb sempre me soou a solução perfeita desse DNA em um combo com 22W. O post é um pouco longo, mas aqui vai ! :-)

O Deluxe Reverb é caro e difícil achar aqui no BR, mas dei sorte e o meu amigo Fernando da Musical World facilitou um bom negócio num reissue usado que pertenceu a um guitarrista de uma dupla sertaneja aqui de Ctba. Era dos modelos mais recentes que já vinham equipados com o falante Jensen C-12K (cerâmico) e nem pensei muito. Arrematei o bicho! O clean Fender estava todo lá, mas quando aumentei o volume pela primeira vez quase cai pra trás, soava maravilhoso no volume 6-7, com aquele "clean/crunch" Fender e uma dinâmica e explosão incríveis. Tocando mais com ele, percebi que essa era a única configuração que ele soava realmente bem. O clean puro era cristalino como deveria ser, porém as vezes meio magrelo e vítrico no canal "Vibrato" e sem sal nenhum no canal normal.

Novamente, em ambos quando plugada uma Strato e mandava ver no volume, o timbre e harmônicos estavam lá, mas comecei a notar que o "Super Clean Gordo" de Fender (a la Eric Johnson) não aparecia... Meu pensamento era de que eu conseguiria a riqueza do clean do Twin (quem já tocou num sabe que o timbre aparece com volume no 4 pra frente) mas com volumes bem mais moderados, considerando leves diferenças pelo POWER diferenciado. O que eu encontrei foi um crunch Fender ótimo e um clean bom mas meio magro. A grande verdade é que o DR sempre foi famoso em gravações de blues e country justamente por esse timbre "crunch" que ele atinge facilmente em volumes moderados. A 6V6 ajuda muito nesse ponto, pois é uma válvula que satura de maneira muito agradável. Então onde estava o clean cheio e bonito? Pensei até que minhas referências estavam erradas e que eu estava procurando algo no amp que ele não entregaria mesmo, tipo "como um clean de Twin reverb que tem 80W vai estar presente num amp de 22w?" Mas a resposta é que isso tudo estava lá, porém meio escondido... rsrsrs!


Claro que fui dar uma pesquisada na internet sobre as re-edições do Deluxe Reverb e de cara é possível achar opiniões similares às que eu tive, de que o timbre é meio anêmico e soa magrelo no clean e que encorpava e aparecia com bom volume. O legal dessas opiniões dos gringos (com os devidos filtros é claro) é que muitos deles comparam as re-edições com os amps reais da época, que ainda têm em bom número nos EUA, e desossam os modelos novos para replicar o timbre igual ao dos originais. Ainda bem que com amps isso é menos complicado, pois não tem nada de material orgânico (madeira) envelhecido/colado e quase tudo dá pra replicar com o que temos hoje.

O primeiro comentário geral lendo sobre o DRRI, é que a re-edição vem de fábrica com BIAS muito "frio", ou seja abaixo do ponto considerado "ideal" de operação das 6V6. Vale uma nota que o ponto "ideal" teórico pode variar de acordo com o gosto do freguês, mas via de regra o senso comum manda regular o BIAS em torno de 70% da dissipação total da válvula. A razão deduzida pelos gringos (nada oficial da Fender) para isso é que as 6V6 atuais não suportariam altas correntes como as antigas 6V6, e por isso a Fender teria alterado o transformador do DRRI e regulado o Bias mais frio, gerando esse som mais magro mesmo em baixos volumes. É tipo usar um Twin Reverb com volume no 1. O som não é RUIM, e tem bastante gente que usa o DRRI de fábrica feliz da vida e ama o bicho, mas não é o mesmo tipo de Clean que ouvimos na intro de "Manhatan" (exluindo aqui o Echoplex :-) ).

Pois fui eu me meter: o DRRI (Deluxe Reverb Reissue) tem um potenciômetro para fazer essa regulagem acessível pela parte inferior do chassis. O problema é que não tem um BIAS point pra espetar um multímetro e medir isso, por isso tive que comprar um BIAS Probe da EuroTubes. O meu é esse modelo da foto, simples para uso com um multímetro simples.



A leitura original estava em 14 mili-amperes. Experimentei algumas regulagens e realmente o comportamento do amp muda um pouco com alterações mais extremas. Levantando o BIAS para 28-30ma o som engorda bastante, talvez um pouco demais e notei que embolou um pouco o meio de campo. Interessante que com o BIAS muito quente, os médios ficam na cara e o amp realmente distorce mais cedo, mas o grave fica meio molenga também. Não curti muito. Com o BIAS perto do recomendado (consenso geral) 20-24ma o som ficou mais gordo que antes e sem embolar os médios como antes. Gostei e deixei assim.


Aqui um pequeno vídeo da EuroTubes, onde comprei o meu BiasProbe, de como proceder pra regular o BIAS. No vídeo ele usa um BiasProbe já com seu multímetro embutido, mas o principio é o mesmo. 

Com o ajuste de BIAS feito, já deu pra perceber uma melhora de uns 30-40% no som Clean que eu mencionei no começo. O Crunch continuava ótimo, mas o clean encorpou substancialmente os médio graves e os harmônicos Fender apareceram. Só com essa "mod" eu já havia conseguido o que eu buscava no começo, mas de tanto ler sobre TANTAS outras mods resolvi que ia experimentar mais algumas para ver no que dava.

Nota: Eu tenho um sério problema - não posso ler em algum lugar que uma MOD faz determinada coisa e aquilo fica muito melhor. Eu sempre acabo pagando pra ver e depois decidir se gosto ou não!! OCD, e não é o pedal... rsrsrs

Depois do ajuste do BIAS, a segunda mod mais popular era de cortar o capacitor de "Bright" no canal "Vibrato". Diferente do seu irmão maior (Twin Reverb) o Deluxe não tem uma chave "BRIGHT", então a Fender simplesmente implementou o BRIGHT no canal Vibrato do DR, e deixou o canal "Normal" sem nada. Isso é feito de maneira similar ao "Treble Bleed" na guitarra, com um capacitor retendo os agudos no pot de volume do amp, mas pra cortar isso eu teria que abri-lo e tirar o capacitor na unha.

Pois bem, resolvi que eu ia mesmo fazer a coisa (de novo OCD/TOK/DOIDERA...) peguei as informações, incomodei o Zeco (da Loja do Musico em Ctba que mexe nos tubos de muita gente aqui), me enchi de coragem e mandei ver - abri o amp e tirei o capacitor C10 (47pf), que de acordo com o esquemático, era o responsável pelo "Bright".

   

Aproveitei pra dar uma olhada geral na placa e construção do amp antes de fechar e ouvir o resultado. O pessoa estava certo, antes eu não conseguia passar de 3 no ajuste de agudos sem sobrar tudo e era difícil de ajustar o brilho "certo". Pensava que era o alto falante Jensen e sua fama, mas depois que removi o C10 tudo ficou bem mais controlável e agradável. Você ainda tem a opção de experimentar alguns valores menores se achar que a completa remoção foi demais, mas depois de experimentar um capacitor de 3.3pf e ainda achar que estava sobrando, a completa remoção foi o que mais me agradou.

Detalhe: Acesso ao pot de bias a diretia do chassis
Fiquei um tempo com ele assim feliz e contente, até que li um artigo da ToneQuestReport dizendo o quanto os transformadores da Mercury Magnetics transformaram o timbre de um Deluxe Reverb que eles restauraram, inclusive relatando como melhorara o som de um reissue que eles tinham. Como eu estava com uma viagem marcada aos EUA numa data próxima, era o que eu precisava pra me coçar de novo. Eu já sabia da fama dos Mercury, mas não são transformadores baratos (nenhum trafo é na verdade) então eu queria alguma certeza que isso seria um bom upgrade. Mesmo que efetivos, os mods que eu tinha feito até agora tinham custado nada além de trabalho e o ganho havia sido de certo modo marginal. O conjunto de trafos da Mercury para o DR, contendo Força, Reverb, Choke e Saída saia algo em torno de US500,00, mas o feedback geral (incluindo caras famosos como John Campilongo) era que a melhora era tanta que parecia outro amplificador depois da troca.



Troquei 3 e-mails com o Patrick da Mercury que me explicou atenciosamente a diferença das linhas , e depois de optar pelo ToneClone mandei vir os bichos. Pedi pro Zeco trocar e quando fui ouvir o amp, a diferença foi tanta que até me assustei. Parecia que a potência havia aumentado e a impressão era de que havia tirado o algodão de dentro do cone do falante. Tudo aparecia mais: mais agudos, mais graves, médios mais transparentes, reverb mais espacial enfim, tudo tinha melhorado. Não dava nem pra comparar as mesmas "settings" de antes, pois tudo mudou na resposta do amp. Eu ia gravar vídeos com o meu amp, mas não havia gravado nada antes das mods, então achei esses vídeos demostrando dois DRRI, um original e outro com os Mercury e ilustra realmente a diferença. É realmente outro amp, e as mesmas configurações já nem se aplicam mais :-)




Demorei umas 3 semanas pra entender e digerir a mudança. Nesse meio tempo procurei entender o pq de tanta diferença no som e acabei conhecendo a Smithers Audio e trocando uma ideia com o Leando, ele me esclareceu alguns pontos técnicos legais sobre trafos que de certa forma explicaram o por que notei tanta diferença dos Mercury pros Fender. Primeiro o lance de corte de custos, faz com que a Fender especifique os trafos pros seus amps no talo da tolerância, nem 1 pelinho a mais, fazendo com que tudo trabalhe sem folgas, ao passo que os Mercury são todos feitos com 50% além da especificação mínima. No caso do trafo de saída, o enrolamento, quantidade de ferro e tudo mais influencia no som e como o trafo interage com as valvulas de saída.

Agradeço publicamente ao Leandro da Smithers Audio pela atenção, e aqui transcrevo um pedaço do longo e esclarecedor papo que tivemos (ainda vou adquirir um trafo Smithers pro meu JCM 800 clone e conto pra vocês):


"...trafo de força você enrola o primário e depois o secundário por cima, pronto. No de saída se você fizer isso, o trafo não vai responder na faixa dos agudos, vai ter uma perda absurda de indutância entre enrolamentos, e uma alta capacitância esta que seria responsável pela perda de agudos. Quando você divide o primário/ secundário em várias camadas e intercala cada, você terá um melhor acoplamento indutivo entre camadas, reduzirá bastante a capacitância enfim a resposta melhora e muito! Para guitarras geralmente os fabricantes dizem que por a guitarra operar em uma faixa baixa de frequência, não há necessidade de várias camadas, o comum de se usar são 3 ou no máximo 5 camadas; (prim./sec/prim., este é exemplo de vários fabricantes inclusive da Heyboer, fornecedor da Fender hoje). O de 5 camadas (prim./ sec./ prim/ sec/ prim.) este é exemplo da Mercury. Os meus, eu faço no mínimo 7 camadas e o SM45 por exemplo, tem 9 camadas ( prim./ sec./ prim./ sec/ prim./ sec./ prim./ sec./ prim.) Eles ficam com a resposta de frequência bem similar aos trafos de Hi-Fi. Outra característica marcante na fabricação meus trafos (Smithers), cada camada de enrolamento, por exemplo, o primário terá 3 camadas seguidas, então cada camada tem o mesmo tamanho, com os fios juntos e com isolamento entre cada. São impregnados com um verniz próprio numa câmara a vácuo, isso proporciona um maior isolamento, o bobinado fica livre espaço vazio que poderia penetrar umidade facilmente, e também por ficar bem fixo, o trafo fica livre de entrar em ressonância com algum ruído, isto acontece quando a impregnação é ruim e o enrolamento começa a vibrar. O núcleo que uso também é de alta qualidade e G.O. sempre..."

Fez todo o sentido pra mim. Vejo o trafo de saída como um tradutor da energia das válvulas para energia que o falante precisa para produzir o som. Como explicado pelo Leandro, o trafo com menos capacitância devido ao enrolamento tem melhor resposta de frequências (lembram dos nossos dilemas com capacitaria na fabricação de captadores? :-) ). A resposta da melhora do meu DRRI com a troca dos trafos está em: 1) - o fato do trafo de força operar com um pouco mais de folga, fornecendo energia suficiente para cada válvula trabalhar livremente com os picos e tudo mais, e 2) - no design do trafo de saída, especificado com o enrolamento correto e calculado para maior transparência dos timbres. Uma explicação simples, mas que faz sentido.

Capacitores Orange Drop não fizeram TANTA diferença quanto os trafos

Depois disso ainda fiz alguns outros experimentos na sessão de ToneStack do amp testando algumas mods que fui lendo a respeito mas no final das contas voltei as especificações originais e me dei por contente. As mods todas foram legais em algum ponto mas alteravam o DNA original do amp que eu tanto gostava. Experimentei MUITA coisa, até instalar capacitares Orange Drop dos mesmos valores que tantos dizem que faz diferença mas não notei tanto assim. Acho que os trafos foram realmente o upgrade mais efetivo na melhora do timbre do amp!

Vale ressaltar que não sou AMP TECH e não tenho muito conhecimento de causa nos "porques" de cada uma das partes do amp. Fui experimentando, consultando e ouvindo cada modificação. Vou tentar explicar os conceitos conforme meu entendimento e se por algum motivo eu falar/escrever alguma bobeira e tiver algum técnico lendo, peço por favor que me avise e eu faço a correção.
Esse foi o único amp até agora que meti a mão pra modificar e não conheço muito dos outros. É importante também salientar que amps valvulados merecem um cuidado especial antes de sair metendo a mão nas entranhas, com o risco de tomar um choque um tanto "forte" (425V no caso do Deluxe Reverb) e é preciso saber como descarregar os capacitores de filtro de fonte antes. É importante dar uma boa pesquisada antes, perguntar pra quem sabe até se sentir confortável com o que está pretendendo fazer. A internet está recheada de boa informação nesse assunto, mas se você por qualquer razão não se sente confortável, não faça!! Leve ao seu Amp-Tech mais próximo Ok?